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O Brasil filmado de dentro

Arquivo Geral

14/05/2003 0h00

Matheus Nachtergaele, de 34 anos, é uma unanimidade. Com trabalhos reconhecidos no cinema, teatro e televisão – como em Auto da Compadecida, Hilda Furacão, Central do Brasil e O Que É Isso, Companheiro?–, o ator conquistou um status respeitável.

Ele participa do XIII Cine Ceará com dois dos longas: Narradores de Javé, de Eliane Caffé, e Amarelo Manga, de Cláudio Assis.

“São dois filmes muito diferentes, que só têm em comum a qualidade inegável”, opina. “Narradores é um filme que consegue ser barroco, complexo, dentro de uma aparente simplicidade. É lindo, delicado e feminino”.

Exatamente o oposto de Amarelo Manga, lembra o ator. “Manga é um filme macho, cheio de clichês machistas, como a crente despudorada, o bígamo, a bichinha do mal e a velha que ninguém quer, mas com uma sutileza de fundo de alguém muito doce e sensível, como o Cláudio – apesar do jeitão agressivo.”

Na opinião do ator, a delicadeza ao contar a história de um povo que, enquanto procura se salvar, tem de lutar muito, coloca Narradores de Javé entre os dois favoritos: “É a história do nordestino, do brasileiro. A história de um povo que, tão jovem, já está tão esquecido”.

Já em Amarelo Manga, é a abordagem brasileira dessa realidade suburbana que chama a atenção. “É o Brasil filmado de dentro”, atenta Matheus. “Não é uma visão de fora, influenciada. Convivemos com o povo, tivemos de aprender. Chegou uma hora em que me desesperei, certo de que não conseguiria dar ao personagem Dunga o talento que ele merecia.” Entusiasmado com o festival, ele destaca: “Essa variedade é boa demais para o público e para o cinema nacional, que precisa quebrar alguns padrões”. A crítica vem em função de uma discussão oportuna: o domínio que um pequeno grupo de produtores do Rio de Janeiro teria sobre a destinação de verbas destinadas à produção cinematográfica pelas empresas estatais – maiores patrocinadores do cinema nacional.

“O Cine Ceará ganhou uma importância ainda maior por causa disso”, conclui. “Essa discussão dói em todo mundo, mas precisa ser feita. Dói para quem esperou o momento de gritar, para quem sempre quis e tinha medo e para quem se acostumou a fazer coisas num sistema que vai ter que mudar”.

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    14/05/2003 0h00

    Matheus Nachtergaele, de 34 anos, é uma unanimidade. Com trabalhos reconhecidos no cinema, teatro e televisão – como em Auto da Compadecida, Hilda Furacão, Central do Brasil e O Que É Isso, Companheiro?–, o ator conquistou um status respeitável.

    Ele participa do XIII Cine Ceará com dois dos longas: Narradores de Javé, de Eliane Caffé, e Amarelo Manga, de Cláudio Assis.

    “São dois filmes muito diferentes, que só têm em comum a qualidade inegável”, opina. “Narradores é um filme que consegue ser barroco, complexo, dentro de uma aparente simplicidade. É lindo, delicado e feminino”.

    Exatamente o oposto de Amarelo Manga, lembra o ator. “Manga é um filme macho, cheio de clichês machistas, como a crente despudorada, o bígamo, a bichinha do mal e a velha que ninguém quer, mas com uma sutileza de fundo de alguém muito doce e sensível, como o Cláudio – apesar do jeitão agressivo.”

    Na opinião do ator, a delicadeza ao contar a história de um povo que, enquanto procura se salvar, tem de lutar muito, coloca Narradores de Javé entre os dois favoritos: “É a história do nordestino, do brasileiro. A história de um povo que, tão jovem, já está tão esquecido”.

    Já em Amarelo Manga, é a abordagem brasileira dessa realidade suburbana que chama a atenção. “É o Brasil filmado de dentro”, atenta Matheus. “Não é uma visão de fora, influenciada. Convivemos com o povo, tivemos de aprender. Chegou uma hora em que me desesperei, certo de que não conseguiria dar ao personagem Dunga o talento que ele merecia.” Entusiasmado com o festival, ele destaca: “Essa variedade é boa demais para o público e para o cinema nacional, que precisa quebrar alguns padrões”. A crítica vem em função de uma discussão oportuna: o domínio que um pequeno grupo de produtores do Rio de Janeiro teria sobre a destinação de verbas destinadas à produção cinematográfica pelas empresas estatais – maiores patrocinadores do cinema nacional.

    “O Cine Ceará ganhou uma importância ainda maior por causa disso”, conclui. “Essa discussão dói em todo mundo, mas precisa ser feita. Dói para quem esperou o momento de gritar, para quem sempre quis e tinha medo e para quem se acostumou a fazer coisas num sistema que vai ter que mudar”.

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