Sempre que a gente faz aniversário — principalmente em datas redondas — surge aquela necessidade de fazer um balanço da vida. Com Ney Latorraca está sendo assim. O ator, que vive o Eduardo de Da Cor do Pecado, comemora 60 anos de vida e 40 de carreira. Nem precisa dizer que o saldo é positivo.
“Mas o que fica depois de 40 anos não são os trabalhos que eu fiz. É muito mais importante o Marco Nanini, o Walter Avancini, a Maitê Proença do que O Mistério de Irma Vap, O Estúpido Cupido, TV Pirata”, diz o ator, que ainda se considera inseguro, apesar de ser muito vaidoso: “Sou leonino, adoro aparecer, dar entrevista, ser fotografado. Eu detesto passar em brancas nuvens”, diz.
E Ney sabe que nunca passa despercebido. Desde que estourou como galã em 1974, vivendo o Felipe de Escalada, o ator não parou mais: “No início, Felipe não tinha nem fala. Depois de dois meses, virei galã e não parei de falar”.
Lembrança ruim, Ney só tem uma. Ele conta que o sucesso lhe subiu à cabeça em 1978, depois de O Estúpido Cupido: “Dei uma certa pirada. Passei a me achar maravilhoso, um Marlon Brando. Quebrei a cara. Fiquei doente, com uma paralisia que ninguém sabia explicar o que era e fiquei um ano parado”, lembra.
Mas o que não faltam são grandes momentos na vida do menino de Santos. “Acho que meu primeiro grande momento foi meu nascimento. Depois veio minha primeira comunhão, minha primeira namorada, a Márcia, aos 15 anos, minhas vindas para o Rio… Eu ainda sinto o cheiro das coisas nas minhas lembranças”, diz o ator, que parou de fumar e beber depois da morte de sua mãe, Tomasa Josephina Pallares, em 1994.
Hoje, Ney leva uma vida metódica. Acorda sempre na mesma hora (8h) e tem a vida toda planejada. “Antes de dormir eu deixo tudo pronto e separado. Minha mala, a bermuda, a blusa, a cuequinha, parece até que estou indo para o colégio. Levanto antes do despertador tocar e fico esperando acordado. Não quero levar pito, quero ser um bom aluno. Sempre fui tenso, por isso eu tenho úlcera”, diz Antonio Ney Latorraca, que só perde o bom humor quando trocam seu nome.
“Detesto quando me chamam de Neyla. Eu falo: meu nome é Ney, respira: 1, 2, 3… agora fala, Latorraca”, se diverte.