Nova York – Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. Brasília – Gabriela, Mayra, Ana e Juliana. Apesar de morarem em locais diferentes, os dois grupos de amigas têm em comum um velho desejo feminino: encontrar o príncipe encantado. Um sonho justificado por um antecedente de trauma.
“Já tomamos pé na bunda dos caras”, dizem as candangas, que estão de luto pelo término da série Sex in the City. Aclamado pelo público em geral, o programa terá hoje, às 22h50, no canal Multishow (Net), sua última exibição.
“Somos fãs e vamos nos sentir órfãs”, lamentam as brasilienses, que, assim como a legião de seguidoras, se pautam pelo comportamento das garotas da série.
“A personagem Charlotte levou muito a sério a idéia do príncipe encantado em Trey e complicou a realidade”, analisa a designer gráfica Gabriela Bento Coelho, 27 anos, que aprecia as coisas simples na vida de uma mulher, como contar besteira e ir para boate. Mas faz a ressalva: “O que é importante é que Charlotte deu a volta por cima. Achou em Harry o homem perfeito”, diz Gabriela, que também já encontrou o amor.
feminismo”A minha favorita é a Carrie. Ela escreve a coluna intitulada Sex in the City e é uma jornalista que decide sair em um safári urbano como antropóloga sexual. Transa com homens sem compromisso só para gozar”, diz a operadora de micro Mayra Aires da Silva, 25 anos, idade média das milhares de admiradoras do lado feminista do programa.
“Cada uma é um estereótipo da mulher considerada normal nos dias atuais”, analisa Mayra, que, entre Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda, prefere a última. “Ela é a mais forte e independente”, explica. “Já a Charlotte é mais recatada e se a Samantha não é bem-sucedida, é bem-nascida”, divaga.
As irmãs Ana Luíza e Juliana Diniz Barro curtem a série. “Os modos de ser das personagens do sitcom transmitem em parte os estereótipos pertencentes exclusivamente à cultura norte-americana”, aponta a publicitária Ana, de 27 anos.
“Elas abordam sem tabu nenhum a sexualidade, o que é incrível para os padrões moralmente aceitos na civilização Ocidental”, analisa, por sua vez, a fonoaudióloga Juliana, 25.
Juliana confirma que ela e as amigas têm uma cumplicidade muito grande, assim como as amigas de Sex in the City. “Sempre batemos papo em cafés”, ilustra. A vida imita a arte. A diferença é que a história das companheiras candangas, ao contrário da cultuada série norte-americana, está longe de ter um fim.