Em seu último livro, Todas las familias felices, o escritor mexicano Carlos Fuentes aborda a violência latente no México.
Fuentes, laureado com os prêmios Cervantes e Príncipe de Astúrias das Letras, elaborou 16 relatos em que retrata os problemas e dificuldades de famílias mexicanas, intercalados por outros 16 coros – prosas poéticas ao modo das tragédias gregas -, em que a coletividade invisível é a protagonista.
"Em todas as sociedades latino-americanas, encontramos uma multidão de vozes, sabemos que estamos rodeados de uma multidão de vozes que não nos chegam, que às vezes clamam por se fazerem escutar, que nos fazem sinais", disse Fuentes na quarta-feira, durante a apresentação de sua obra em Madri.
"Nunca acabamos de escutá-las, nunca param de se expressar e cada romance, cada conto que se escreve, é uma pretensão fracassada de antemão da dar mais voz ao mundo", acrescentou.
O autor de A morte de Artemio Cruz revela a situação das gangues de jovens, das crianças mendicantes, das filhas estupradas, dos órfãos e dos traficantes, entre outros habitantes dos subúrbios do México.
"Minha grande preocupação é que essa violência obscura, subterrânea, ascenda à vida política e contagie com violência a vida pública do México; devemos evitar isso, porque seria catastrófico", declarou.