Ao menos diante dos olhos ocidentais, o cinema do cineasta chinês Zhang Yimou é ainda emergente. Algo que data do início dos anos 2000 para cá, graças ao frisson pós-O Tigre e o Dragão, de Ang Lee, apesar de Yimou se destacar por um cinema mais autoral. Foi com o excelente Herói que seu nome cintilou com mais imponência nas telas brasileiras.
Mas sua produção é importante e merece atenção do outro lado do planeta desde o princípio, especialmente a partir do marcante Lanternas Vermelhas (apesar de, nesse momento, ter outros três títulos no currículo).
A produção de 1991 foi a primeira a conseguir alguma abertura no mercado nacional e, hoje, configura-se no mais importante cartão de visita do cineasta. Agora, as distribuidoras brasileiras fazem sua mea culpa com mais uma investida certeira no cinema contemplativo de Yimou com o lançamento de A Maldição da Flor Dourada.
O novo filme de Zhang Yimou, aliás, foi um dos títulos reunidos para a mostra Foco China, no Festival do Rio do ano passado, um pequeno exemplo do impacto da cinematografia oriental na pós-modernidade cinéfila brasileira.
Blockbuster
A Maldição da Flor Dourada é outra viagem épica de Yimou – como nos longínquos Herói e O Clã das Adagas Voadoras –, foi realizado com largo orçamento e primorosos figurino e direção de arte. Não é para menos que o longa-metragem tenha alcançado o título de mais cara produção da China, orçado em US$ 45 milhões, e que conseguiu, ao menos, uma indicação ao Oscar de melhor figurino.
A trama do filme se passa na Última Dinastia Tang, mais de mil anos atrás, uma época de ostentação e extravagância. A história se concentra numa desequilibrada família imperial. Sob o glamour, a família esconde profundos segredos.
Apesar de famoso por orquestrar cenas de luta e guerra tão belas quanto mágicas, as histórias de Yimou fazem muito mais referências ao tema relacionamento. E é dentro dessa esfera complexa que se apóia a trama de A Maldição da Flor Dourada.
Yimou volta a discutir relações familiares (Lanternas Vermelhas, O Caminho para Casa), porém, armado com uma reconstrução histórica voluptuosa e desmedida – herança do cinema vizinho, do Japão de Akira Kurosawa.