José Mojica Marins retorna, após 40 anos, com seu personagem Zé do Caixão, que, com suas unhas de dez centímetros, empolgou o público nesta sexta-feira (29) no Festival de Cinema de Veneza com a exibição de seu mais novo filme – Encarnação do Demônio.
Com 72 anos, Zé do Caixão, diretor e ator do filme, não encontra inconveniente em voltar às suas raízes e exibe cenas de mulheres nuas, órgãos genitais devorados e nádegas esquartejadas.
“Dei tudo de mim. Pus torturas, insetos (…) Não há computadores, trabalhamos com três mil escaravelhos. Tudo o que compreende terror está neste filme”, explicou Zé do Caixão nesta sexta-feira em entrevista coletiva, em Veneza.
“Devíamos ao público as melhores cenas, a melhor música, a melhor iluminação. Pôr todos os recursos aos seus pés”, ressaltou.
Zé do Caixão se transformou em um personagem sumamente popular, um ícone selvagem, e agora oferece mais do mesmo, porém com uma produção mais extensa, o que torna o filme mais realista dentro de sua fantasia sangrenta.
No entanto, para finalizar a obra, Zé do Caixão demorou mais de 30 anos, viveu a morte de dois produtores e adaptou oito vezes o roteiro – incluindo uma aproximação pornográfica. A Encarnação do Demônio foi materializada já no século XXI.
“Pensávamos que, efetivamente, o filme teria lugar em nossa próxima encarnação”, brincou o diretor, que respondeu a apenas uma pergunta na entrevista à imprensa.
“No Brasil, produziu pesadelos, as pessoas vomitavam no cinema. Criou o impacto que queríamos: deixar o público alucinado. Agora vamos ver como o resto do mundo o recebe”, diz Zé do Caixão.
O cineasta também afirma que o filme é sua obra prima e o classifica de “Bíblia do terror na América Latina”.
“O mundo está cheio de violência. Os pais abusam de suas crianças. Isto é, de novo, Sodoma e Gomorra”, explicou.
O filme conta a história de Zé do Caixão, que, após 30 anos preso, é finalmente libertado. Novamente em contato com as ruas, o sádico coveiro está decidido a cumprir a mesma meta que o levou à prisão: encontrar a mulher que possa lhe gerar um filho perfeito.
Em seu caminho pela cidade de São Paulo, deixa um rastro de horror, enfrentando leis não-naturais e crendices populares.
“O terror sempre precisou de sensualidade e, como em tantas outras coisas, também não a poupamos”, disse Zé do Caixão.