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Novo filme de Nani Moretti critica política italiana

Arquivo Geral

22/12/2006 0h00

Sabe o jargão "há filmes e filmes"? Pode ser aplicado para livros e livros, discos e discos, políticos e… bem, para políticos a história é outra. O Crocodilo, filme de Nanni Moretti que chega aos cinemas da cidade com sete prêmios na bagagem (Cidade de Roma, em Cannes; e David di Donatello, em seu país de origem, Itália), mostra que há filmes, filmes e filmes. O de Moretti é o terceiro tipo.

Como bom italiano, o cineasta cozinha uma história ágil, com frescor da atualidade política local – satirizada e apunhalada sem hesitação – e o aroma exótico de um cinema vanguardista que dialoga, com simplicidade, com o espectador, a partir de reconstituições documentais dos discursos do ex-primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi.

A embalagem de O Crocodilo não ostenta um argumento tão poderoso quanto ao que é apresentado na telona: o cineasta Bruno Bonomo (Silvio Orlando), produtor falido que ainda carrega uma ponta de orgulho por seu único filme B de sucesso, tenta driblar seus fiadores e bancos; e disfarça quando a esposa toca no assunto do iminente divórcio, motivo de suas crises de ciúme e picos depressivos.

A ebulição começa quando Bonomo recebe o roteiro de uma jovem cineasta esquerdista. Ele aceita produzi-lo, sem lê-lo. Então, digere junto ao espectador a frustração de rodar um filme atacando uma das figuras políticas mais poderosas da Europa, sem espaço para fazê-lo. Bonomo fracassa, Moretti  triunfa.

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