Pantanal, no ar pela extinta Manchete entre março e dezembro de 1990, mudou a maneira de fazer dramaturgia no Brasil: até o final da década de 80, as novelas eram produzidas 70% em gravações dentro de estúdios e apenas 30% com cenas externas. A trama de Benedito Ruy Barbosa inverteu essa ordem
Na mesma época, a Globo saboreava o sucesso com Vale Tudo , de Gilberto Braga, e exibia Rainha da Sucata, de Silvio de Abreu. Pantanal , que entrava no ar após a novela das oito, rapidamente deslanchou
Segundo Benedito Ruy Barbosa, “o público adorou conhecer a paisagem de um lugar pouco conhecido do Brasil. O espectador relaxou na frente da Tv, com paisagens deslumbrantes e uma história simples”
A novela relatava a saga da família Leôncio, cujo patriarca era Cláudio Marzo. A trama de Pantanal acompanhava a vida de três gerações da família e tinha o amor da selvagem Juma Marruá (Cristiana Oliveira) e do urbano Jove (Marcos Winter) como o romance central
A novela era recheada de cenas mostrando vôos de tuiuiús, jacarés e capivaras nas vazantes, muito pôr-do-sol e chalanas descendo os rios do Pantanal. “Temos o mérito de ter saído do estúdio, mas não houve uma nova linguagem”, pontuou, modesto, o diretor Jayme Monjardim. “Houve, sim, um espaço dentro do Brasil que é mágico e que ninguém conhecia. Qualquer um que botasse a câmara lá iria fazer um belo trabalho”
Os inúmeros banhos de rio das personagens Juma, Guta (Luciene Adami) e Muda (Andréa Rixa) ajudaram a atiçar a audiência. Naturalmente: elas apareciam nuas. “A Juma tinha uma sensualidade de bicho, sem maldade; por isso, a nudez estava inserida na trama”, analisa Cristiana Oliveira
Para Paulo Gorgulho, que viveu o patriarca da família quando jovem, Pantanal também mudou o tempo de realização das cenas. O ator lembra que a produção não tinha a correria comum nas gravações das novelas da época. Os personagens eram acompanhados em longas caminhadas
“Não dávamos autógrafo, entrevistas e nem tínhamos tanta noção do sucesso”, recorda o ator. “O elenco estava realmente entregue à produção”
Nascido em Mato Grosso do Sul, Almir Sater afirma que a novela influenciou no mercado de terras da região pantaneira. Na trama, ele viveu o violeiro Trindade
As experientes Ângela Leal e Jussara Freire também se destacaram, respectivamente, como Maria Bruaca e Filó. A novela ainda reuniu Marcos Palmeira, Marcos Winter e Paulo Gorgulho, atores ainda em fase de ascensão na carreira, para viver os três filhos de José Leôncio
Pantanal também marcou a estréia de atores hoje famosos, como Ângelo Antônio (o peão Alcides) e Carolina Ferraz, em participação na primeira fase. Marcos Winter diz ter boas recordações desse tempo
Pantanal foi exibida em vários países, como Rússia, Grécia, Itália, Bulgária, Estados Unidos e toda a América Latina.