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Novela perdida no tempo

Arquivo Geral

09/09/2004 0h00

De repente, um Chevrolet Blazer (carro lançado no Brasil em 1995), surge como veículo de um vereador em 1992, suposto ano em que se passa a novela Senhora do Destino. Mas o modelo utilizado por Reginaldo (personagem de Du Moscovis) é de 2004. Embora o autor Aguinaldo Silva afirme que a linha do tempo da novela é ficcional, é estranho ver o jovem ator Dado Dolabella (Plínio), que na trama estaria com 27 anos – e hoje com 39 anos se transportássemos a história para os dias atuais –, posando de adolescente. A primeira fase da novela se passa em 1968. O elo para a fase presente da trama avisava “alguns anos depois”.

Se apenas os carros, as roupas e as manias – como a onda do vinho que assola o País e serve de mote para uma briga entre os personagens de Wolf Maya (Leonardo) e Marcello Anthony (Viriato) – fossem uma nova forma de continuidade em novelas – devido a custo, por exemplo – seria compreensível que em Senhora do Destino a produção abrisse mão da precisão.

Questionado pelo Jornal de Brasília sobre essa confusão de tempo na sua novela, o autor Aguinaldo Silva respondeu que a distância cronológica entre as duas épocas era proibitiva. Ele queria abordar o ano de 1968, aproveitar para mostrar uma realidade brasileira que poucos conheceram, em horário nobre. “Criei o tempo ficcional da novela”, explica o autor.

Em Senhora do Destino, Maria do Carmo chegou ao Rio de Janeiro no dia 13 de dezembro de 1968. Ela tinha cerca de 24 anos, e estava com os cinco filhos: Reginaldo (10), Leandro (8), Viriato (6), Plínio (3) e Lindalva (meses). Como se viu na novela, “alguns anos depois”, todos aparecem mais velhos e não se sabe exatamente quantos anos se passaram. Tomando por base a personagem de Carolina Dieckman, que deve ter em torno de 24 anos atualmente, como Isabel/Lindalva, imaginamos que passaram-se 24 anos.

Independentemente do ano em que se passa a nova fase, Maria do Carmo (Suzana Vieira), teria 48 anos? No papel, ela aparenta mais de 50 anos. Se a novela se passasse nos dias atuais, ela teria perto de 60. O mesmo se aplica a Dirceu, personagem de José Mayer, que também estaria mais perto dos 60 do que dos 40 e poucos.

Plínio, de Dado Dolabella, teria 27 anos, se passasse apenas 24. Mas se passasem 36 anos, teria 39. Viriato não teria mais de 30 anos? Leandro teria apenas 32 anos? Naldo teria apenas 34?

Aguinaldo Silva afirma ter se baseado no início da década de 90 para criar a fase atual da novela, no entanto, as roupas, as músicas e os carros são atuais. Antes do início da novela, o autor também negou ao Jornal de Brasília que a história de Lindava era inspirada no caso do menino Pedrinho. “É uma referência ao Caso Carlinhos”, disse, à época, o autor. Mas o caso Carlinhos, que ocorreu no Rio de Janeiro, nos anos 70, não teve solução. O garoto carioca foi seqüestrado por um homem. Quem foi roubado por uma mulher vestida de enfermeira e criado por ela, foi o brasiliense Pedrinho. Leia abaixo, a explicação, por e-mail, do autor de Senhora do Destino sobre a confusão de tempo em sua novela. (Colaborou Marcella Oliveira)

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    09/09/2004 0h00

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    Se apenas os carros, as roupas e as manias – como a onda do vinho que assola o País e serve de mote para uma briga entre os personagens de Wolf Maya (Leonardo) e Marcello Anthony (Viriato) – fossem uma nova forma de continuidade em novelas – devido a custo, por exemplo – seria compreensível que em Senhora do Destino a produção abrisse mão da precisão.

    Questionado pelo Jornal de Brasília sobre essa confusão de tempo na sua novela, o autor Aguinaldo Silva respondeu que a distância cronológica entre as duas épocas era proibitiva. Ele queria abordar o ano de 1968, aproveitar para mostrar uma realidade brasileira que poucos conheceram, em horário nobre. “Criei o tempo ficcional da novela”, explica o autor.

    Em Senhora do Destino, Maria do Carmo chegou ao Rio de Janeiro no dia 13 de dezembro de 1968. Ela tinha cerca de 24 anos, e estava com os cinco filhos: Reginaldo (10), Leandro (8), Viriato (6), Plínio (3) e Lindalva (meses). Como se viu na novela, “alguns anos depois”, todos aparecem mais velhos e não se sabe exatamente quantos anos se passaram. Tomando por base a personagem de Carolina Dieckman, que deve ter em torno de 24 anos atualmente, como Isabel/Lindalva, imaginamos que passaram-se 24 anos.

    Independentemente do ano em que se passa a nova fase, Maria do Carmo (Suzana Vieira), teria 48 anos? No papel, ela aparenta mais de 50 anos. Se a novela se passasse nos dias atuais, ela teria perto de 60. O mesmo se aplica a Dirceu, personagem de José Mayer, que também estaria mais perto dos 60 do que dos 40 e poucos.

    Plínio, de Dado Dolabella, teria 27 anos, se passasse apenas 24. Mas se passasem 36 anos, teria 39. Viriato não teria mais de 30 anos? Leandro teria apenas 32 anos? Naldo teria apenas 34?

    Aguinaldo Silva afirma ter se baseado no início da década de 90 para criar a fase atual da novela, no entanto, as roupas, as músicas e os carros são atuais. Antes do início da novela, o autor também negou ao Jornal de Brasília que a história de Lindava era inspirada no caso do menino Pedrinho. “É uma referência ao Caso Carlinhos”, disse, à época, o autor. Mas o caso Carlinhos, que ocorreu no Rio de Janeiro, nos anos 70, não teve solução. O garoto carioca foi seqüestrado por um homem. Quem foi roubado por uma mulher vestida de enfermeira e criado por ela, foi o brasiliense Pedrinho. Leia abaixo, a explicação, por e-mail, do autor de Senhora do Destino sobre a confusão de tempo em sua novela. (Colaborou Marcella Oliveira)

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