Se a idéia era mesmo causar polêmica, a nova novela da Record, Methamorphoses, está conseguindo o que queria. Mas a questão ultrapassou os folhetins e pode ir parar nos tribunais. A novela já está na mira do Departamento de Classificação Indicativa do Ministério da Justiça.
Tudo porque seu primeiro capítulo, exibido no domingo, veiculou cenas – em uma delas aparecia Takashi (Kissei Kumamoto) beijando os seios de Circe (Lígia Cortez) – consideradas impróprias para o horário em que foi classificada, o das 20 horas.
Outro problema, este enfrentado pelos atores e atrizes é atuar em cenários hospitalares, com cenas reais de cirurgias. A atriz Lígia Cortez, por exemplo, que vive na trama uma cirurgiã, confessa que passou longe de centros cirúrgicos para a preparação do personagem e preferiu não ver nenhuma cirurgia ao vivo.
“Não, obrigada. Acho que a pessoa precisa ter um certo temperamento para isso. Deixei a Biologia porque tinha que dissecar animalzinho”, ri a atriz. “Mas vi vídeos de cirurgia, conversei muito com os médicos que estão assessorando a novela, para criar certa familiaridade com a cirurgia, instrumentação, saber como recortar a pele”, enumera.
Além disso, Lígia comenta que trabalhou bastante a emoção, para dar conta das cenas densas da personagem. “Ela vive um drama e, durante seu tempo de permanência na novela, Circe está sempre aos sobressaltos. São cenas muito emocionais”, diz Ligia. Além de simpatizar com a trajetória da personagem, a atriz aceitou participar da trama por ser dirigida por Tizuka Yamasaki. “Sempre tive uma vontade enorme de trabalhar com ela. Com essa experiência, a acho ainda mais inteligente do que já achava. Ela é calma e não faz jogo de poder com os atores”, analisa.
Cria de teatro, Lígia, 43 anos, chega a sua terceira novela – a primeira foi Ana Raio e Zé Trovão, em 1991, na extinta Manchete, e a segunda, Esperança, ano passado, na Globo. Mas Lígia dará adeus à trama no sexto capítulo. “Saio de cena, mas Circe continua viva, apenas com outro rosto”, avisa a atriz, referindo-se ao transplante facial que sua personagem e Lia, vivida por Vanessa Lóes, farão. “É abertamente inspirado no filme A Outra Face”, compara.
A inusitada operação vai acontecer depois que as duas sofrerem um terrível acidente, no capítulo de amanhã. Lia e Circe estão fugindo de mafiosos japoneses quando a tragédia acontece. “Depois do casamento, Circe e Takashi (Kissei Kumamoto) vão passar a lua-de-mel no Japão. Lá ela descobre que o marido tem ligação com a máfia e é obrigada a fazer uma cirurgia no chefão da organização para mudar seu rosto. Depois da operação, Circe consegue fugir para o Brasil e a máfia vai atrás dela”, conta Lígia.
Antes de morrer, Lia pede ao doutor Lucas (Luciano Szafir) que faça a operação para salvar Circe da máfia. Para todos, quem morreu foi Circe, mas na verdade, ela continua viva, com o rosto de Lia.