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Novela com a cara do Brasil

Arquivo Geral

23/08/2004 0h00

Na trama das oito, Senhora do Destino, o Barão de Bonsucesso (Raul Cortez) está feliz da vida porque conseguiu um emprego como assessor do deputado federal Thomas Jefferson (Mário Frias). Mas, para fazer exatamente o quê? Ah, isso pouco importa. Ele é mais um dos muitos funcionários que “trabalham” para o parlamentar e que não fazem nada: o chamado cabide de empregos. “Gravamos várias cenas em que mostramos funcionários que passam o dia inteiro jogando xadrez. Acho importante o público ver e tomar consciência. Estamos em ano de eleição, e só o voto pode mudar isso”, alerta Mário Frias.

A crítica da novela das oito poderia ter sido mal recebida em Brasília, mas — acreditem — o próprio Sindicato dos Servidores do Legislativo admite: existem muitos deputados como Thomas Jefferson no Congresso Nacional.

“Temos hoje contratados 9.630 servidores que deveriam trabalhar em 513 gabinetes. Só que cada gabinete tem cerca de 26 metros quadrados. Resultado: esse pessoal todo não caberia ao mesmo tempo no prédio nem em pé”, explica Ezequiel Nascimento, presidente do Sindicato.

Nascimento conta ainda que cada deputado federal tem direito a gastar até R$ 35 mil por mês com o pagamento de funcionários, que não têm que passar por nenhum concurso público, são apenas nomeados. “O que passa na novela é uma caricatura, mas que existe sim. O eleitor não tem que pensar no benefício próprio. Assim, o calvário que existe no Brasil não vai mudar nunca”, diz Ezequiel.

capitalNuma das cenas da novela, o Barão de Bonsucesso conta que pensava que o deputado Thomas Jefferson era deputado estadual. Mas o parlamentar explica que, na verdade, seu trabalho é em Brasília. “Mas eu só vou à capital de terça a quinta-feira a cada 15 dias”, conta o parlamentar.

O Barão de Bonsucesso vai se ver em um papel duplo, pois foi contratado por mera indicação, mas não entende muito o fato de ser ocioso. “Chega a ser tragicômico”, diz Mário Frias. A realidade dos funcionários públicos concursados é bem diferente daqueles da novela, diz Jaime Bona, presidente do Sindicato dos Servidores Civis. Segundo ele, é uma injustiça taxar o servidor público de vagabundo. “Diariamente eu tenho que assinar uma ficha e escrever o que eu produzi depois de oito horas de trabalho”, conta. Mário Frias afirma que fica feliz ao ver as pessoas nas ruas repercutindo as ações de seu personagem: “É bom para o povo pensar antes de votar em outubro”.

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    23/08/2004 0h00

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    A crítica da novela das oito poderia ter sido mal recebida em Brasília, mas — acreditem — o próprio Sindicato dos Servidores do Legislativo admite: existem muitos deputados como Thomas Jefferson no Congresso Nacional.

    “Temos hoje contratados 9.630 servidores que deveriam trabalhar em 513 gabinetes. Só que cada gabinete tem cerca de 26 metros quadrados. Resultado: esse pessoal todo não caberia ao mesmo tempo no prédio nem em pé”, explica Ezequiel Nascimento, presidente do Sindicato.

    Nascimento conta ainda que cada deputado federal tem direito a gastar até R$ 35 mil por mês com o pagamento de funcionários, que não têm que passar por nenhum concurso público, são apenas nomeados. “O que passa na novela é uma caricatura, mas que existe sim. O eleitor não tem que pensar no benefício próprio. Assim, o calvário que existe no Brasil não vai mudar nunca”, diz Ezequiel.

    capitalNuma das cenas da novela, o Barão de Bonsucesso conta que pensava que o deputado Thomas Jefferson era deputado estadual. Mas o parlamentar explica que, na verdade, seu trabalho é em Brasília. “Mas eu só vou à capital de terça a quinta-feira a cada 15 dias”, conta o parlamentar.

    O Barão de Bonsucesso vai se ver em um papel duplo, pois foi contratado por mera indicação, mas não entende muito o fato de ser ocioso. “Chega a ser tragicômico”, diz Mário Frias. A realidade dos funcionários públicos concursados é bem diferente daqueles da novela, diz Jaime Bona, presidente do Sindicato dos Servidores Civis. Segundo ele, é uma injustiça taxar o servidor público de vagabundo. “Diariamente eu tenho que assinar uma ficha e escrever o que eu produzi depois de oito horas de trabalho”, conta. Mário Frias afirma que fica feliz ao ver as pessoas nas ruas repercutindo as ações de seu personagem: “É bom para o povo pensar antes de votar em outubro”.

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