A cidade de Pepperland, submersa a 80 mil léguas da superfície (ou seriam 18 mil?), foi atacada por Maldosos Azuis, que insistem em tentar destruir a paz e a harmonia reinantes. Até mesmo a Banda do Sargento Pepper está ameaçada de não produzir mais sons. E a única salvação está em Liverpool: quatro sarcásticos rapazes, chamados Ringo, John, George e Paul. Tudo isso pode parecer psicodelia – e é – e, depois de chegar às telas de cinema, vídeos, DVD-players, toca-discos e CD-players, acaba de voltar às lojas, desta vez em forma de livro.
O libreto Yellow Submarine, com tradução de Fernando Nuno, traz uma historinha gráfica, com imagens e textos sobre a aventura do veículo aquático dos Beatles.
O público brasileiro tem a honra de receber essa reedição antes mesmo dos americanos e ingleses. A Editora Melhoramentos, juntamente com empresas da Itália, Holanda, Noruega, Alemanha, França e Japão, saiu na frente e lança, mundialmente, o livro.
Trata-se de mais uma reapresentação da banda mais famosa do mundo às novas gerações. O livrinho, com 40 páginas, vem com desenhos de Heinz Edelman digitalmente restaurados do filme original, lançado em 1968. O argumento é de Lee Minoff, baseado na canção homônima de Lennon e McCartney. Na época, o projeto todo só saiu do papel por insistência do produtor Al Brodax.
O escritor Fernando Nuno, contratado para fazer a tradução do texto de Charlie Gardner, é fã de carteirinha dos Beatles. Em sua adolescência, fez parte de bandas cover em São Paulo. No início da década de 80, foi o responsável pela versão brasileira de The Beatles, biografia publicada com capa elaborada por Andy Warhol, e que era a principal fonte de informações sobre o quarteto até a chegada da série Anthology.
Nuno fez questão de manter o clima: alegria, amor, paz e a luta (pacífica e musical) contra os vilões que querem acabar com a tranqüilidade reinante em Pepperland. A viagem do quarteto até a chegada ao destino final é cheia de surpresas e acaba virando uma aventura maluca. No fim, claro, os quatro derrotam os Malvados Azuis com muita música, sob a o lema de “tudo que o mundo precisa é de amor”.
As tiradas e piadas dos diálogos podem parecer estranhas a quem não conhece a história musical dos Beatles – mas a intenção é justamente de instigar os possíveis neobeatlemaníacos. Exemplo disso é uma conversa entre o guitarrista e o baterista. “Precisamos comprar um ticket to ride?”, pergunta George. “Só se for para uma Magical Mistery Tour”, responde Ringo, em duas citações a canções da banda.