Nos 45 anos de Brasília, o amante do cinema ganha, de uma só vez, 56 presentes. Na verdade, 56 amostras da recente produção cinematográfica legitimamente brasiliense, no melhor estilo “várias idéias na cabeça e muitas formas de usar a câmera”. São “presentes” que podem ser desembalados e conferidos na mostra O Novo Cinema Brasiliense, em cartaz de hoje a domingo, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Setor de Clubes Sul.
A visita ao lugar promete dar ao cinéfilo, baladeiro ou curioso, visão apropriada da nova geração de cineastas locais. Turma multifacetada e batalhadora, mesmo que, vez ou outra, troque as mãos pelos pés no manuseio da câmera e criação do roteiro. Turma recém-saída da universidade que se mistura a “quase veteranos” da geração 90, premiados em festivais dentro e fora de nossas fronteiras. No cardápio, com curadoria dos jovens cineastas Gustavo Galvão e Marcelo Díaz, curtas-metragens em vídeo, 16mm e 35mm lançados a partir de 2000.
E por que 2000? Simplesmente porque o ano parece ter sido o da “retomada do cinema brasiliense”. Em 2000, foram lançados três longas e 14 curtas, ótima produção se comparada ao marasmo de anos (ou décadas) anteriores e que elevou o DF a terceiro pólo de criação no País, atrás do Rio e de São Paulo. A partir daí, a produção só aumentou. “É um período especial na história do cinema brasiliense. Brasília se consolidou sob o ponto de vista estético”, analisa Gustavo Galvão.
Mas será que essa quantidade se traduz em qualidade? A resposta parece ser “sim”. É que a medida que a produção cresceu, os diretores amadureceram o olhar, a técnica. E isso com o suporte dos novatos oriundos de escolas de cinema. Uma geração capaz de trabalhar com vários formatos: filme colorido, p&b, animação, sem imagem, digital, película. Produção diversificada e presente em todo os festivais brasileiros nos últimos dois anos.
A mostra O Novo Cinema Brasiliense não traz filmes inéditos, mas, em compensação, apresenta produções exibidas apenas uma vez, no último festival do cinema local, em 2004. É, também, uma oportunidade única de ver todos esses filmes juntos e, de repente, comparar a técnica, a originalidade e o talento de alguns dos protagonistas do ato de se fazer a Sétima Arte em Brasília.
Os cineastas estão interessados, também, em discutir as perspectivas e estética do cinema brasiliense. Como é feito e para onde pode ir o produto cultural criado nas entranhas da cidade? Respostas que podem começar a aparecer no debate marcado para quinta-feira, com a presença de José Eduardo Belmonte, Bernardo Bernardes e Mauro Giuntini.
“Os profissionais querem fugir da ladainha da falta de recursos, esforço por verbas, busca de patrocínio, corrida aos editais. E fazer uma reflexão sobre o que a nova geração tem trazido de diferente”, afirma Díaz. Sorte dele, de Galvão e dos novos cineastas que o CCBB bancou essa primeira mostra dedicada a Brasília no mês de seu aniversário.
Bom para uma geração de estilo multifacetado, que mistura, nas bitolas, técnicas e influências distintas. Exemplo disso é a animação de Ítalo Cajueiro, o experimentalismo de Marcius Barbieri, os filmes com temáticas comuns, mas com atores negros (aposta de Marcelo Díaz). “Essa mistura é a nossa cara”, acredita o curador.