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Nos bastidores do golpe de 64

Arquivo Geral

31/03/2005 0h00

Somente quem viveu nos anos de chumbo da ditadura militar no Brasil sabe o que foram as incursões das milícias anticomunistas e de parte do Exército sobre os “suspeitos de subversão”, seus familiares e seus lares. Quem pensa que os militares que derrubaram João Goulart da Presidência da República praticaram somente um ato cívico pela democracia está redondamente enganado. O que se passou no Brasil, principalmente entre 1964 e 1979, foi tão grave quanto o que Stalin fez contra seus inimigos políticos e tão perverso quanto a perseguição de Hitler aos judeus.

No livro Relatório Mandaras (LGE Editora, 193 páginas), que será lançado hoje, o médico e escritor Carlos Magno de Melo, mostra de forma regionalizada como esse período nefasto de nossa história maltratou inocentes e utópicos. Quinta obra do autor, Mandaras é um romance real, que, de forma clara, insere o cidadão no olho do furacão “revolucionário” – os militares que deram o golpe no dia 1º de abril de 1964 pensavam que promoviam uma revolução no País.

A história do juiz Pablo Mandaras – os nomes são fictícios –, passada em Goiânia, nos anos 60, não difere das lidas de advogados, professores, médicos, bancários, em outras cidades brasileiras, que resistiram às pressões ditatoriais. Acusado de subverção por ter concedido habeas corpus a estudantes e políticos denunciados pela polícia política da ditadura, Pablo Mandaras não se curvou às ordens do interventor militar em Goiás e acabou morto, crivado de balas.

Seu filho Antenor foi preso e depois “desaparecido”. A mulher, Berenice, envelheceu uma semana a cada dia. O ex-governador de Goiás, Mauro Borges Teixeira, que presenciou esses fatos, atesta a veracidade da narativa de Carlos Magno no prefácio da obra.

O Relatório Mandaras vem mostrar que a repressão passou muito perto da casa de cada cidadão brasileiro, porque nos idos de 1964 bastava pensar para ser suspeito de alguma coisa, mesmo que sem fundamento algum, para desencadear-se uma prisão e morte sem justificativa plausível.

Carlos Magno começou a escrever o Relatório Mandaras no dia em que viu – e cuspiu – num cartaz laudatório aos generais afixado no Lyceu de Goiânia. “Era a época da transição de Médici para Geisel”, relembra o autor. “Mas o livro tomou forma no ano passado”.

Nos tempos idos da ditadura, Carlos Magno era estudante e tinha uma banca de revistas. “Naquela época, ser estudante significava ser militante. O sujeito era suspeito só de apresentar a carteirinha estudantil, se fosse do Lyceu, então, era pior”, conta Magno, que participou de passeatas e e vaiou muito a polícia.

O livro, que está concorrendo ao Prêmio Jabuti na categoria ficção, sai com tiragem inicial de cinco mil exemplares e está disponível em Brasília e nas livrarias de Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

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    31/03/2005 0h00

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    No livro Relatório Mandaras (LGE Editora, 193 páginas), que será lançado hoje, o médico e escritor Carlos Magno de Melo, mostra de forma regionalizada como esse período nefasto de nossa história maltratou inocentes e utópicos. Quinta obra do autor, Mandaras é um romance real, que, de forma clara, insere o cidadão no olho do furacão “revolucionário” – os militares que deram o golpe no dia 1º de abril de 1964 pensavam que promoviam uma revolução no País.

    A história do juiz Pablo Mandaras – os nomes são fictícios –, passada em Goiânia, nos anos 60, não difere das lidas de advogados, professores, médicos, bancários, em outras cidades brasileiras, que resistiram às pressões ditatoriais. Acusado de subverção por ter concedido habeas corpus a estudantes e políticos denunciados pela polícia política da ditadura, Pablo Mandaras não se curvou às ordens do interventor militar em Goiás e acabou morto, crivado de balas.

    Seu filho Antenor foi preso e depois “desaparecido”. A mulher, Berenice, envelheceu uma semana a cada dia. O ex-governador de Goiás, Mauro Borges Teixeira, que presenciou esses fatos, atesta a veracidade da narativa de Carlos Magno no prefácio da obra.

    O Relatório Mandaras vem mostrar que a repressão passou muito perto da casa de cada cidadão brasileiro, porque nos idos de 1964 bastava pensar para ser suspeito de alguma coisa, mesmo que sem fundamento algum, para desencadear-se uma prisão e morte sem justificativa plausível.

    Carlos Magno começou a escrever o Relatório Mandaras no dia em que viu – e cuspiu – num cartaz laudatório aos generais afixado no Lyceu de Goiânia. “Era a época da transição de Médici para Geisel”, relembra o autor. “Mas o livro tomou forma no ano passado”.

    Nos tempos idos da ditadura, Carlos Magno era estudante e tinha uma banca de revistas. “Naquela época, ser estudante significava ser militante. O sujeito era suspeito só de apresentar a carteirinha estudantil, se fosse do Lyceu, então, era pior”, conta Magno, que participou de passeatas e e vaiou muito a polícia.

    O livro, que está concorrendo ao Prêmio Jabuti na categoria ficção, sai com tiragem inicial de cinco mil exemplares e está disponível em Brasília e nas livrarias de Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

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