As estrelas do filme são os músicos e não os cantores, que nem aparecem para dar depoimentos, exceto Martha Reeves e Mary Wilson, que tiveram algum sucesso mas nunca passaram do segundo escalão. Nem mesmo Berry Gordy, que recrutou todos eles e ganha um agradecimento no final, aparece. Não fica claro se é uma estratégia do diretor, mas o fato é que desta vez os músicos da sombra não tiveram que dividir o holofote com as estrelas.
E os Funk Brothers tocaram com todas elas: Marvin Gaye, Stevie Wonder, Smokey Robinson, Diana Ross, Jackson 5, The Temptations, Four Tops, todos colecionadores vorazes de discos de ouro. Mesmo depois da fase áurea, quando eram exclusivos contratados da Motown e não podiam tocar em discos de outras gravadoras, o grupo forrou o sucesso de artistas como Johnnie Taylor, Freda Payne, The Dramatics, The Hues Corporation e Joe Simon.
A produção do filme foi digna de cinema brasileiro – 14 anos desde que o diretor Paul Justman leu o livro de Allan Slutsky sobre o baixista James Jamerson, que evoluiu para contar a história de todos os Funk Brothers, até o lançamento. E o filme começa exatamente ao som do contrabaixo. Durante a produção, mais três morreram: o guitarrista Robert White, o baterista Richard “Pistol” Allen e o pianista Johnny Griffith. Se juntaram a Jamerson, ao baterista Benny “Papa Zita” Benjamin, ao percussionista Eddie “Bongo” Brown e ao pianista Earl Van Dyke.
Estão vivos, fazendo shows e com as mãos na calçada da fama, o pianista Joe Hunter, o percussionista Jack Ashford, o baixista Bob Babbitt, os guitarristas Eddie Willis e Joe Messina e o baterista Uriel Jones. A música deles, parece, é para sempre: filmes de Hollywood exploram o universo Motown e coletâneas com os maiores sucessos da gravadora, vendida anos atrás para a Universal por US$ 325 milhões, são lançadas todo mês.