Ela dizia não querer ser atriz, para não ter de se submeter ao ritmo corrido de vida da mãe e do pai. Mas o destino parece ter falado mais alto, e, bem no horário nobre da TV Globo, lá está Cleo Pires, filha de Glória Pires e de Fábio Jr., num papel que já está chamando a atenção da torcida: o da ninfeta Lurdinha. Cabelão com balanço de comercial de xampu (tal como o da mãe) e sorriso matreiro como o do pai, Cleo tem atributos para compor esta personagem estonteante. E que vai balançar o coreto de América, já que, na história, ela seduz Glauco (Edson Celulari), o pai de sua melhor amiga.
“Estou aprendendo muito ainda”, revela, com um jeito adolescente aos 22 anos, risada alta e nervosa, vez por outra, tiradas ríspidas para conter a insegurança. “Não queria parecer burra fazendo uma protagonista, que tem um peso grande. Lurdinha é mais do meu tamanho. Eu me importo é se estou fazendo direito”.
Ela conta que aprende bastante com Celulari. “Ele é muito paciente e um fofo”. A diferença de idade não seria problema. “Eu me envolvo com quem eu gosto. Mas não vou falar dos meus namorados”, dispara. E Lurdinha, ao que tudo indica, não dorme no ponto.
“Lurdinha é meio carente, mas não sensual”, tenta explicar. “Só que, quando gosta do cara, vai em cima. Vocês não vão me ouvir falando que sou sensual”. Modéstia!
Cleo ainda não digere o mundo das celebridades. Roliça para os padrões da TV, mas tipo gostosa para meros mortais, jura que não troca figurinha com a mãe. “Não peço conselhos, mas conversamos muito sobre essa ansiedade que dá”, entrega.
Mas na hora de assistir à sua primeira cena na novela, na terça-feira passada, ela ficou juntinho da família. Além das irmãs, tem um carinho muito especial por Orlando Morais, marido de Glória Pires, e a quem chama de “pai do coração”.
América é sua primeira novela, mas não o primeiro convite. Chamada para fazer Cabocla, Cleo não aceitou porque não queria ser protagonista com um papel da mãe – mesmo já tendo interpretado Glória criança, na minissérie Memorial de Maria Moura. Trilhou caminho próprio. Em 2003, levou o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio pelas cenas sensuais e até dramáticas, quando foi alvo de uma tentativa de estupro, em Benjamin, de Monique Gardenberg. Pode estar nascendo aí uma atriz com excelentes perspectivas.