Brasília recebe nesta sexta-feira o cantor Ney Matogrosso, às 21h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Acompanhado por quatro músicos – Marcello Gonçalves (violão de sete cordas), Pedro Jóia (alaúde e violão), Ricardo Silveira (guitarra e violão) e Zé Paulo Becker (viola e violão), Ney apresenta o show Canto em Qualquer Canto, gravado em CD em 2005.
“Queria ver como os meus sucessos ficariam acompanhados apenas por um quarteto de cordas. E esse é o resultado do show”, revela Ney. Constam no repertório canções como Sangue Latino, Ela e Eu (Caetano Veloso), Tanto Amar (Chico Buarque) e Ardente (Joyce).
Depois de Brasília, Ney Matogrosso faz show em Goiânia. A partir de junho, cruza o Atlântico e segue para apresentações em Portugal e Itália, país em que encerra a turnê iniciada há dois anos.
“Minha carreira fora do Brasil não é mais regular porque não me proponho a isso”, diz. Isso porque o cantor, de 65 anos de idade, faz questão de se manter fora da badalação. “Gosto de ficar quieto, calado”, explica.
Além da preferência por uma vida reservada, incomodam Ney as limitações que uma turnê internacional impõe ao show. “Quero a mesma luz e o mesmo som para todos os meus shows. Sou perfeccionista”, admite.
No Brasil, a situação é diferente. “De Belém ao Rio Grande do Sul, levo minha luz e meu som. Eu ofereço o meu melhor”, afirma.
Quem vê nos shows uma figura completamente extrovertida, não imagina a personalidade retraída de Ney. “Fora do palco, gosto mais de observar do que ser observado”, revela. “Por muito tempo, achava que era doido. Nem eu mesmo me entendia: achava que tinha algum distúrbio”, conta. “Até que fiz terapia e entendi que esta é a minha personalidade”.
Depois de sair da Aeronáutica, Ney mudou-se para Brasília, onde haviam lhe oferecido um emprego no Hospital de Base. “Era 1961. Não havia asfalto na W3 nem grama plantada”, lembra. Foi aqui, nessa cidade “ainda muito árida em termos humanos”, que Ney despertou sua verve artística.
“Não sabia nada de mim. Foi em Brasília que passei a me conhecer”, lembra. “Por necessidade, passei a fazer aulas de teatro. Era tão tímido que não conseguia falar com as pessoas. Também comecei a cantar em coral, onde me permiti revelar meu lado artístico”, completa.
Aos 31 anos, Ney saiu da cidade construída por JK e partiu para o Rio de Janeiro, para dar início ao que ser tornou o grupo Secos e Molhados. “Nada me interessava além da arte”, conta.
Ney Matogrosso – Dia 25 de maio, sexta-feira, na sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Ingressos a R$ 120 (inteira), R$ 80 (doadores de 2kg de alimentos não perecíveis) e R$ 60 (estudantes).