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Neurônio teria personalidade

Arquivo Geral

08/03/2004 0h00

As células do cérebro têm “personalidade” própria, e essa diferença entre elas promete dar pistas aos cientistas sobre as causas e possíveis tratamentos de doenças mentais e do sistema nervoso. Essas células do sistema nervoso, os neurônios, podem ser classificadas em pelo menos 15 tipos, de acordo com seu comportamento. “Cada neurônio tem uma personalidade elétrica”, diz o pesquisador Henry Markram, do Instituto do Cérebro e da Mente, em Lausanne, na Suíça. Markram fez uma palestra sobre o tema ontem no 1º Simpósio de Neurociências de Natal, o evento que está dando o pontapé inicial na criação do futuro Instituto Internacional de Neurociência, que está sendo construído em Macaíba, município vizinho da capital potiguar. A transmissão dos sinais nervosos é um evento físico-químico, que envolve sinais elétricos interagindo com mensageiros químicos conhecidos como “neurotransmissores”. Os neurônios podem ser classificados por esse perfil elétrico – por exemplo, se “disparam” rapidamente ou se o fazem com uma pequena espera inicial –, e também pelos genes que ativam. Markram e colegas compararam esses dois perfis, e notaram que havia uma correspondência entre eles – de modo que, sabendo o comportamento elétrico, por exemplo, é possível deduzir o padrão de ativação dos genes. O número, o tipo, os contatos dos neurônios entre si – “os neurônios são muito promíscuos”, diz o pesquisador –, permitem deduzir regras sobre seu comportamento.

câncer de cólon

Quimioterapia mais eficaz

Pesquisadores franceses desenvolveram um método que deve tornar mais eficaz a quimioterapia em pacientes com câncer de cólon – uma porção do intestino grosso. O estudo elaborado por cientistas do Instituto Curie, em Paris, foi publicado pela revista Oncogene. Em experiência com ratos, os pesquisadores constataram que um dos medicamentos usados na quimioterapia, o irinotecan, é menos eficaz quando as células cancerosas apresentam uma mutação do gene P53. Este gene garante a replicação perfeita do DNA das células. Quando o DNA sofre uma lesão muito grave, ele desencadeia a produção de uma proteína que causa o “suicídio” da célula. Em células cancerosas de ratos cujos genes P53 apresentavam mutação, os pesquisadores observaram o acúmulo anormal de uma proteína chamada Cdk1. Acredita-se que esta proteína seja determinante na resistência à quimioterapia. A equipe então testou uma substância inibidora para a proteína Cdk1 que, associada ao irinotecan, aumentou a eficácia do tratamento. Segundo os especialistas, cerca de 70% dos pacientes com câncer de cólon apresentam mutação no gene P53. A equipe agora espera testar o procedimento em seres humanos.

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