A negativa de Steven Spielberg a participar da criação da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto, recebeu nesta quarta-feira o aplauso de organizações humanitárias, mas foi recebida com mal-estar pelas autoridades chinesas.
O cineasta rompeu seu acordo com o Comitê Organizador dos Jogos (Bocog) em protesto contra a falta de empenho da China para pressionar o Sudão, país do qual compra grandes provisões de petróleo e ao qual vende armas, a acabar com a crise em Darfur.
“Meu tempo e energia não devem ser destinados à cerimônia dos Jogos, mas a tentar pôr fim aos atrozes crimes contra a humanidade que continuam sendo cometidos em Darfur”, disse Spielberg.
Nos últimos dias, o Congresso americano e um grupo de vencedores do Prêmio Nobel, políticos e atletas tentaram convencer o Governo chinês a aumentar seu envolvimento na busca por uma solução para o conflito de Darfur.
Até o momento, a decisão do diretor de cinema não teve uma resposta oficial de Pequim.
A embaixada chinesa em Washington emitiu na última quarta-feira um comunicado no qual, sem fazer menção direta à decisão de Spielberg, chamou de “irresponsável, pouco razoável e injusta” a associação da crise em Darfur com os Jogos Olímpicos.
A organização Human Rights Watch aproveitou a ocasião para pedir aos patrocinadores e aos participantes dos Jogos para que pressionem a China a respeitar mais os direitos humanos.
A ONG Free Tibet Campaign, que acusa a China de violações de direitos humanos no Tibete, aplaudiu a decisão tomada por Spielberg e chamou os Jogos de Pequim de “os jogos da vergonha”.
A porta-voz do Comitê Olímpico Internacional (COI), Emmanuelle Moreau, evitou comentar a medida tomada pelo cineasta, e se limitou a disse que “esta é uma decisão pessoal”.
O Bocog anunciou em abril de 2006 que Spielberg e Zhang Yimou, o diretor mais famoso do cinema chinês, trabalhariam juntos na criação da cerimônia inaugural dos Jogos, que será realizada no dia 8 de agosto de 2008.