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Na Semana da Consciência Negra, atores da Globo avaliam quadro de luta contra a discriminação no Bra

Arquivo Geral

20/11/2008 0h00

A trama de A favorita (Globo) estampa com naturalidade uma família de negros ricos. Mas a trajetória dos atores negros na TV brasileira não foi fácil. No Dia Nacional da Consciência Negra, artistas avaliam, em reportagem do jornal carioca O Dia, a realidade atual.
Apesar de apontarem avanços, os atores dizem que ainda convivem com preconceito e têm dificuldade em conseguir bons papéis. “Há muita gente que olha com despeito para o Romildo Rosa, não pelo fato de ele ser um político corrupto, mas pelo fato de ele ser um negro poderoso. Isso incomoda’, diz o ator Milton Gonçalves, sobre o personagem que vive na novela de horário nobre da Globo.

Ele recebeu o Troféu Raça Negra no último domingo e denuncia o preconceito. “Quando criança, fui rejeitado nas aulas de natação de um clube tradicional por ser negro’, recorda, emocionado. Mesmo assim, aponta avanços. “Não pensei que veria um negro, Barack Obama, na Presidência dos Estados Unidos. Isso prova que a dignidade não está na cor, mas no caráter’, diz.

O ator Antônio Pitanga comemora com a mulher, Benedita da Silva, e os filhos Rocco e Camila Pitanga o Dia Nacional da Consciência Negra. “Minha família tem no sangue a saga negra brasileira’, afirma. Em 1995, ele foi o patriarca da família negra de classe média na novela A próxima vítima (Globo). “Sempre trabalhei para que a igualdade racial não seja só uma utopia’, diz.

“Estou cansada de tanta luta. O Brasil é um país racista’, afirma a atriz Neusa Borges, que volta ao ar na Globo em 2009, em Caminho das Índias. Lázaro Ramos, protagonista de Ó paí, ó (Globo), faz coro. “O preconceito racial é uma ferida em nosso país. É preciso falarmos sobre isso’, finaliza.


Papel social
Se hoje Taís Araújo é uma das mulheres mais bonitas da TV, na infância, ela sentia falta de referências negras na tela. “Só havia personagens mais velhos. Não havia atores jovens na TV. Cresci com essa carência’, diz. Durante a adolescência, quando era modelo, tinha menos trabalho que suas colegas loiras. “Sempre fotografava menos. A presença do negro naquela época na publicidade estava apenas começando. Hoje já melhorou muito, até porque há muitos produtos direcionados para os negros’, afirma.

Na TV, Taís chegou a ser preterida. “Quando estava fazendo Tocaia Grande (1995), na Manchete, primeiro recebi uma personagem que seria uma das protagonistas, mas depois me deram um papel menor, porque ter uma negra como protagonista era impensável’, lembra.
Taís foi a primeira negra a protagonizar uma telenovela, em Xica da Silva – exibida pela Manchete em 1996-, na pele da escrava que conquistou o poder em Minas Gerais. Depois, repetiu o feito, desta vez na Globo, ao encarnar a mocinha Preta, de Da cor do pecado (2004). “Sinto-me honrada em ter sido protagonista e tenho consciência do papel social que representei.
Tem de ter mais personagens negros com importância na trama, mais protagonistas negros.’
Taís, que também é jornalista, orgulha-se de ter um programa sobre beleza, o Superbonita, no canal pago GNT. “Quando me convidaram, nem titubeei’, lembra. Apontada como a próxima Helena de Manoel Carlos, ela diz: “Ainda não recebi convite. Mas, se ele vier, vou amar’, conta a atriz.

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