Apesar da fertilidade do solo de Brasília para germinar novos talentos da música brasileira instrumental, o mercado é muito mais promissor no eixo Rio-São Paulo. Cruzar as Minas Gerais e percorrer os redutos da Lapa (RJ) com um violão nas costas não deixa de ser sonho dos chorões candangos. Muitos chegaram lá. Exemplo do bandolinista Hamilton de Holanda, do gaitista Gabriel Grossi e dos violonistas Daniel Santiago e Rogério Caetano.
Gabriel Marques, violão sete cordas do grupo Choro Malandro, acredita que o mercado brasiliense está crescendo, mas não chega a ser ideal. “Aqui ainda é muito limitado. Para sobreviver de música tem que estar lá (Rio de Janeiro ou São Paulo)”, considera.
O professor Paulo André Tavares é mais enfático. “A cidade, em si, não consome tanto o que os grupos oferecem, então os músicos são obrigados a sair”, avalia. E o violonista brasiliense Daniel Santiago, fiel escudeiro de Hamilton de Holanda no Brasília Brasil Trio e cuja carreira se consolida no Rio, endossa: “A demanda para o choro no Rio é bem maior, mas em Brasília é notável”.
Outro fator apontado por Santiago que faz com que Brasília tenha uma posição de destaque no cenário da música instrumental – mesmo em proporções menores do que no Sudeste – é a profissionalização. “Quanto mais informações você tiver, mais fácil é entrar no mercado”. Segundo ele, a escola do chorinho estimula a técnica, um grande diferencial no metiê. “A moçada que está trabalhando hoje tem o choro em sua formação”, enfatiza.