O Museu J. Paul Getty, de Los Angeles, concordou na segunda-feira em devolver à Grécia dois artefatos antigos, concluindo um acordo pelo qual se comprometeu a devolver antiguidades retiradas ilegalmente desse país.
Em comunicado conjunto, o museu e o Ministério da Cultura da Grécia disseram que os objetos a serem devolvidos são uma estela, ou pedra usada para marcar túmulos, de 2,4 mil anos de idade, e um alto-relevo votivo do século 6 a.C.
A Grécia pediu a devolução de pelo menos quatro peças acervo do Getty, incluindo uma coroa funerária de ouro do século 4 a.C. e uma estátua de mármore "kori" de uma mulher, do século 6 a.C., afirmando que eles foram escavados e retirados do país ilegalmente, antes de serem adquiridos pelo rico museu dos Estados Unidos.
O ministro da Cultura grego, George Voulgarakis, disse a jornalistas: "Este é um primeiro passo que nos dá otimismo em relação ao futuro. Hoje é um dia importante para o Ministério."
Em maio, Voulgarakis e o diretor do Getty, Michael Brand, concordaram em princípio quanto à repatriação de alguns objetos.
Em troca, a Grécia cederá outros artefatos ao museu a título de empréstimo de longo prazo e poderá co-patrocinar exposições de arte grega da antiguidade.
O Museu Getty, uma das instituições de arte mais ricas do mundo, está envolvido num escândalo de contrabando de objetos de arte internacionais que começou quando autoridades italianas acusaram sua ex-curadora de antiguidades, Marion True, de conspiração para a receptação de objetos roubados.
A curadora, que também é alvo de um inquérito judicial na Grécia, será submetida a julgamento na Itália e, desde que o escândalo começou, demitiu-se de suas funções no Museu Getty.
Nos últimos dois meses a residência de férias que ela possui na Grécia foi assaltada duas vezes, e investigadores encontraram dezenas de antiguidades não registradas na casa.