O Museu do Prado vai promover até maio a primeira grande exposição monográfica e antológica de Tintoretto já realizada na Espanha, e a mais importante em 70 anos, em nível mundial, do artista italiano.
A partir da próxima segunda-feira, cerca de 70 obras procedentes dos principais museus europeus e americanos vão demonstrar a variedade de registros do pintor e seu processo criativo. Serão 49 pinturas, 13 desenhos e três esculturas que ressaltam fundamentalmente seu lado de pintor narrativo religioso.
"Trata-se da primeira grande exposição antológica de Tintoretto fora de Veneza. Eu diria que não será apenas a primeira, mas também a melhor já realizada fora dessa cidade", disse o diretor do Museu do Prado, Miguel Zugaza, na coletiva de imprensa em Madri em que foi anunciada a exposição.
A última grande mostra de Tintoretto, pintor que influenciou grandes mestres como El Greco, Rubens e Velázquez, aconteceu em 1937 no Palazzo Pesaro, em Veneza.
Tanto o diretor do museu quanto o curador da mostra destacaram a dificuldade de realizar grandes exposições do pintor renascentista, por vários motivos, sendo um dos principais o grande tamanho de suas telas e a dificuldade de transportá-las.
A maior parte dos quadros de Tintoretto se encontra em Veneza, nas paredes dos edifícios para os quais as obras foram concebidas.
Por outro lado, Tintoretto é um dos pintores mais difíceis de ser estudado, já que contou com uma multidão de ajudantes e imitadores, fato que causou sérios problemas de atribuição de suas obras. Essa dificuldade se agrava também pelo fato de Tintoretto ter sido um dos artistas mais prolíficos da história.
De acordo com o comissário da mostra, Miguel Falomir, a pinacoteca de Madri adotou um critério "qualitativo" para a seleção das peças, descartando as de autoria duvidosa e escolhendo as de maior qualidade, fato que fez com que vários dos quadros que pertencem à coleção do próprio museu tenham ficado de fora da exposição.
"Provavelmente não será a exposição ideal, mas será a melhor que se pode fazer fora de Veneza", disse Falomir.
A realização da mostra também motivou um importante projeto de pesquisa que rendeu vários frutos, como a descoberta de algumas obras que até então não tinham sido atribuídas a Tintoretto. A exposição poderá ser visitada entre 30 de janeiro e 13 de maio.