Um clipping é uma reunião de recortes de jornal. Empresas de comunicação, artistas, personalidades, políticos têm o hábito de fazê-lo. Mas, além deles, também o Máiquel, personagem principal do novo filme brasileiro, O Homem do Ano, que estréia nacionalmente amanhã. Ele guarda todas as notícias de seus assassinatos.
É com cenas fortes de muita violência, sexo e drogas que José Henrique Fonseca, o diretor, conta a história desse personagem, um anti-herói da periferia carioca, que perde uma aposta, pinta o cabelo e vende a alma ao diabo. O ator Murilo Benício se encarrega de dar vida a ele. O roteiro do longa é do escritor Rubem Fonseca e foi baseado no livro O Matador, de Patricia Melo. – O orçamento foi de R$ 4,2 milhões. “Patricia acompanhou todo o processo e gostou muito do resultado”, conta José Henrique Fonseca.
Parece que a nova cor de cabelo transforma Máiquel. A responsável pela transformação acaba virando sua mulher. É a cabeleireira Cledir, interpretada por Cláudia Abreu. É como se os fios oxigenados fizessem dele um homem intocável, protegido e destemido.
Ele mata muita gente ao longo do filme. E chora a morte de seu porco Bill, seu bichinho de estimação, que sai para passear amarrado a uma coleira. Chora muito, briga com a esposa e sai de casa por causa disso. Inversão de valores? Sim, e ela continua com as cenas em que a polícia faz papel pior do que de bandido. “A idéia não foi fazer um filme sociológico, apesar da forte presença dos assuntos sociais. A intenção foi mostrar a realidade das periferias brasileiras”, afirma Fonseca.
Enquanto isso, Máiquel apaixona-se por Érica (Natália Lage) e abre uma bem-sucedida firma de segurança em sociedade com o delegado Santana (Carlo Mossy). É o passo que faltava para o seu sucesso.
Ele passa a decidir tudo na região. Do toque de recolher à liberação do gramado para a pelada das crianças. Seu poder ganha uma surpreendente dimensão.
Ele ganha dinheiro, mata mais uns, muda para uma mansão, mata mais uns, viaja para o exterior, mata mais uns, perde uns companheiros, e dá-lhe cenas pesadas, com fotografia impecável. Tudo no melhor estilo olho por olho, dente por dente.
A atuação de Murilo Benício é impecável (ele ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema Brasileiro de Miami pelo papel). A atriz Natália Lage tem participação de destaque, após um tempo sumida, no papel de uma fervorosa evangélica. E ainda tem Lázaro Ramos, o novo queridinho do cinema nacional, que faz o papel de um bandido trapalhão. Mariana Ximenes, André Gonçalves, Agildo Ribeiro, José Wilker, Paulinho Moska, Paulo César Pereio e outros completam o elenco.