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Muito jovem para sofrer

Arquivo Geral

22/02/2008 0h00

Gravidez na adolescência é um drama que ocorre diariamente com milhares de jovens em todo o mundo. É notório que a questão é delicada e deve ser encarada com sensibilidade pelos pais, amigos e escola. O diretor Jason Reitman tinha essa opção no filme Juno, que estréia hoje nos cinemas da cidade após ficar um mês em pré-estréia.

Ele podia contar de forma drástica a história de Juno MacGuff (vivida por Ellen Page, de MeninaMá.com), mas descartou a veia dramática para dar espaço a um filme delicado e com pitadas de comédia. Ele mostra de forma sensível o problema, mas traz também como superá-lo de forma digna.

O que surpreende é que o longa, apesar de ir na contramão de Hollywood – foi produzido de modo semi-independente com um orçamento de US$ 7,5 milhões –, está concorrendo ao Oscar em quatro categorias: melhor filme, diretor (Jason Reitman), roteiro original (Diablo Cody) e atriz (Ellen Page).

Juno é descolada. Na escola, não se enquadra na turma das patricinhas líderes de torcida, nem dos “nerds” estudiosos. Ela é cool, toca violão, tem uma banda e gosta de punk rock.

Sem perceber ou sem querer aceitar com seu jeito durão, ela se apaixona pelo amigo/namorado Paulie Bleeker (Michael Cera, de Superbad), com quem perde a virgindade aos 16 anos. Não que tivesse sido a melhor noite de sua vida. Pelo contrário. Ela encara a primeira vez como algo que simplesmente tinha que ser feito, mais cedo ou mais tarde. O problema são as conseqüências de seu ato: uma gravidez indesejada, descoberta dois meses depois do fato consumado.

A solução
Com a ajuda de sua melhor amiga, Leah (Olivia Thirlby) e o apoio de seus pais, Juno conhece um casal que está disposto a adotar seu filho que ainda nem nasceu. Parece meio fria, a forma prática com que Juno toma essa decisão. Ela até pensa em um aborto, mas desiste ao visitar a clínica e se deparar com figuras realmente estranhas. Os futuros pais são o oposto da família de Juno: Vanessa (Jennifer Garner) e Mark Loring (Jason Bateman), um casal endinheirado, grã-fino, mas cheio de boas intenções – o que realmente cativa Juno.

Entretanto, os problemas da jovem não estão solucionados ao encontrar o casal. Conforme sua barriga vai crescendo, ela vai sendo hostilizada na escola, fica sem paciência com Bleeker e tenta entender, em vão, como é a vida adulta. A fotografia do longa acompanha essas agruras. Assim como o corpo da jovem vai se transformando com a gravidez, detectada em pleno verão, as estações do ano seguem diferenciando a paisagem e o humor da protagonista.

Surpreendem as ótimas atuações de Page, de seu namorado (Michael Cera) e de seu pai Mac (vivido pelo ator J.K. Simmons, o editor do Daily Bugle, J.J. Jameson, do filme Homem-Aranha). A trilha sonora, que já vendeu 65 mil cópias nos EUA, é um capítulo à parte da trama. As músicas não agradam somente os indies, com bandas como Belle and Sebastian, The Moldy Peaches e Sonic Youth. Os fãs dos grupos sessentistas, como The Kinks e Velvet Underground, também têm sua cota de diversão auditiva.

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