Não seria exagero dizer que o terceiro filme dirigido pelo astro Mel Gibson, A Paixão de Cristo, tem feito muito estardalhaço por pouca real polêmica. Decorridas duas semanas semana de sua estréia nos EUA, ainda antes de chegar ao circuito nacional, as acusações de anti-semitismo não procedem. Tal como diz a história, realmente a maioria dos judeus não tomou as dores de Cristo e o renegou como o messias prometido.
O tratamento dado aos judeus por Gibson não está distante daquilo já mostrado por Franco Zeffirelli (em Jesus de Nazaré) ou John Heyman (da produção chamada de mais autêntica sobre a vida de Cristo, Jesus).
O maior trunfo da superprodução de Gibson é, portanto, o incrível resgate do latim (falado pelos romanos), do hebraico e do aramaico (dos judeus), línguas nas quais se passam as últimas 12 horas de vida do humilde carpinteiro de Nazaré – num papel muito bem interpretado por James Caviezel, um dos únicos norte-americanos do elenco formado na maioria por italianos (Monica Bellucci, Claudia Gerini, Sergio Rubini e Toni Bertorelli).
Algumas facções religiosas acreditam que Gibson exagerou na dor do Cristo e foi excessivo nas cricatrizes e sangue. Gibson, um católico extremamente ortodoxo, não fez nada além de interpretar o sofrimento de Cristo à barbárie romana da época, com muito sangue e crueza. (G.L.)