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Mostra revela o lado sombrio do cinema

Arquivo Geral

07/03/2005 0h00

Os cinéfilos da cidade têm um programa imperdível para esta semana. Filmes noir vistos no Brasil apenas na década de 50 estão reunidos na mostra Demônios e Sombras, de hoje a sexta-feira, na Casa Thomas Jefferson (Seps 706/906). As sessões são às 20h e a entrada é franca.

O gênero noir surgiu nos Estados Unidos, na década de 30. Na época, o clima de medo, provocado pela quebra da bolsa de valores de Nova York (1929) e pelo perigo de ascensão da ex-União Soviética, reinava na sociedade norte-americana. Como forma de ascensão social no momento de crise, surgiu o crime organizado. E é essa a realidade retratada nos chamados “filmes negros”.

Sob curadoria do cineasta Sérgio Moriconi, cinco clássicos do cinema noir foram escolhidos para integrar a mostra. “A escolha foi feita pela relevância das obras. O diretor Robert Aldrich, por exemplo, é considerado um dos maiores expoentes do filme noir. Ele tornou o gênero mais autônomo”, explica o curador.

Hoje à noite será exibido No Silêncio da Noite, de Nicholas Ray. O filme conta a história de um assassinato supostamente cometido por um roteirista com senso de humor macabro.

Considerada obra-prima de Orson Welles, A Dama de Shanghai é a atração de amanhã. Um romance entre um marinheiro e a integrante de um grupo de malfeitores é o que move a trama. Característica marcante do gênero noir, a figura da mulher fatal aparece neste filme.

O programa de quarta-feira é A Morte Num Beijo, dirigido por Robert Aldrich. A obra trata de uma série de assassinatos cometidos por uma organização misteriosa.

No filme Os Corruptos, dirigido por Fritz Lang, exibido na quinta-feira, mulheres fatais são novamente retratadas. Na trama, um policial vê-se obrigado a deixar seu cargo para desvendar crimes. O aperitivo da história é o conflito causado por mulheres sedutoras.

O último dia da mostra é marcado pela exibição de Cega Paixão, de Nicholas Ray. A obra é uma reflexão sobre como se pode escapar da atmosfera escura do gênero para a salvação. “A primeira parte exprime melancolia, depressão. Depois, as paisagens são montanhas, cenas mais abertas”, conta Sérgio Moriconi.

Segundo o cineasta, o gênero noir já foi realizado no Brasil: “Guilherme de Almeida Prado produziu A Dama do Cine Shangai (1987), uma refilmagem do A Dama de Shanghai, e o cineasta Chico Botelho é o autor de Cidade Oculta, com a atriz Carla Camurati”.

Mas o curador lembra que a característica marcante do gênero noir é o crime ocorrido em ambientes fechados e não nas ruas, como acontece freqüentemente no Brasil. “Aqui os crimes são nas favelas, nas ruas”, observa. Para ele, Um local propício para produzir o cinema noir seria a cidade de São Paulo: “É mais parecido com Chicago e Nova York, cenários dos filmes do gênero”.

Serviço

Demônios e Sombras – De hoje ao dia 11, na Casa Thomas Jefferson (Seps 706/906), às 20h.

Entrada franca.

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    07/03/2005 0h00

    Os cinéfilos da cidade têm um programa imperdível para esta semana. Filmes noir vistos no Brasil apenas na década de 50 estão reunidos na mostra Demônios e Sombras, de hoje a sexta-feira, na Casa Thomas Jefferson (Seps 706/906). As sessões são às 20h e a entrada é franca.

    O gênero noir surgiu nos Estados Unidos, na década de 30. Na época, o clima de medo, provocado pela quebra da bolsa de valores de Nova York (1929) e pelo perigo de ascensão da ex-União Soviética, reinava na sociedade norte-americana. Como forma de ascensão social no momento de crise, surgiu o crime organizado. E é essa a realidade retratada nos chamados “filmes negros”.

    Sob curadoria do cineasta Sérgio Moriconi, cinco clássicos do cinema noir foram escolhidos para integrar a mostra. “A escolha foi feita pela relevância das obras. O diretor Robert Aldrich, por exemplo, é considerado um dos maiores expoentes do filme noir. Ele tornou o gênero mais autônomo”, explica o curador.

    Hoje à noite será exibido No Silêncio da Noite, de Nicholas Ray. O filme conta a história de um assassinato supostamente cometido por um roteirista com senso de humor macabro.

    Considerada obra-prima de Orson Welles, A Dama de Shanghai é a atração de amanhã. Um romance entre um marinheiro e a integrante de um grupo de malfeitores é o que move a trama. Característica marcante do gênero noir, a figura da mulher fatal aparece neste filme.

    O programa de quarta-feira é A Morte Num Beijo, dirigido por Robert Aldrich. A obra trata de uma série de assassinatos cometidos por uma organização misteriosa.

    No filme Os Corruptos, dirigido por Fritz Lang, exibido na quinta-feira, mulheres fatais são novamente retratadas. Na trama, um policial vê-se obrigado a deixar seu cargo para desvendar crimes. O aperitivo da história é o conflito causado por mulheres sedutoras.

    O último dia da mostra é marcado pela exibição de Cega Paixão, de Nicholas Ray. A obra é uma reflexão sobre como se pode escapar da atmosfera escura do gênero para a salvação. “A primeira parte exprime melancolia, depressão. Depois, as paisagens são montanhas, cenas mais abertas”, conta Sérgio Moriconi.

    Segundo o cineasta, o gênero noir já foi realizado no Brasil: “Guilherme de Almeida Prado produziu A Dama do Cine Shangai (1987), uma refilmagem do A Dama de Shanghai, e o cineasta Chico Botelho é o autor de Cidade Oculta, com a atriz Carla Camurati”.

    Mas o curador lembra que a característica marcante do gênero noir é o crime ocorrido em ambientes fechados e não nas ruas, como acontece freqüentemente no Brasil. “Aqui os crimes são nas favelas, nas ruas”, observa. Para ele, Um local propício para produzir o cinema noir seria a cidade de São Paulo: “É mais parecido com Chicago e Nova York, cenários dos filmes do gênero”.

    Serviço

    Demônios e Sombras – De hoje ao dia 11, na Casa Thomas Jefferson (Seps 706/906), às 20h.

    Entrada franca.

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