Mostra de cinema no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) rebobina a história do cinema brasileiro até a revolução estética liderada por Glauber Rocha nos anos 60. Denominada Revisão do Cinema Novo, a mostra segue de hoje ao dia 21 de janeiro (confira a programação abaixo) e revela o momento político cultural do Brasil pré-golpe militar, artisticamente marcado pela contestação da linguagem cinematográfica vigente e pela irreverência do discurso.
Na programação, estão elencadas as principais produções do movimento, que surgiu, inspirou e trocou experimentos com a então recém-inaugurada nouvelle vague francesa. "Aqueles jovens cineastas, entre os quais Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Andrade, conseguiam tanto transformar o cinema quanto agradar ao público, algo quase impossível atualmente", considerou ao Jornal de Brasília o curador da mostra e redator da revista eletrônica de cinema Contracampo, Daniel Caetano.
Para ele, o que hoje se vê nas telas não tem mais a capacidade transformadora do Cinema Novo. "É um cinema com certo pudor de contestar, de ser diferente, já que o que predomina é a vontade de atrair público". O programa de filmes obedecerá a ordem cronológica em que foram exibidos nas salas de cinema da época. Dessa forma, afirma Daniel, o evento será uma oportunidade de conhecer como o público foi tomando consciência do movimento.
"Com a seqüência dos filmes é possível ainda ver como os realizadores brasileiros faziam frente à linguagem então predominante do cinema norte-americano", disse. Ele enfatizou que a proposta de formas inovadoras de contar histórias, com estética e narrativas originais e genuinamente brasileiras, resultou em filmes autorais que desnudaram a realidade da época e que, em certa medida, a transformou.
Ao todo, serão exibidos 23 longas-metragens e nove curtas, entre os quais os mais conhecidos pertencem ao repertório de Glauber Rocha (Barravento, Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro e seu clássico maior Terra em Transe) e Joaquim Pedro de Andrade (Garrincha, Alegria do Povo, O Padre e a Moça e Macunaíma).
Todas os filmes da mostra foram produzidos rigorosamente nos anos 60. "Seria possível incluir filmes precursores e posteriores a essa época áurea, no entanto, a intenção é de fazer o público refletir, precisamente, sobre aquele momento", justificou Daniel. Com o passar dos anos, segundo ele, o termo Cinema Novo passou a ser usado para definir um pequeno grupo de amigos, que produziam, sobretudo no Rio de Janeiro. "Mas a mostra foge desta visão obscurecida", completa.
Durante a mostra será comercializado um catálogo de 64 páginas elaborado pelo crítico e editor da Contracampo Ruy Gardnier. A publicação consiste numa reunião de textos jornalísticos da época e dados dos lançamentos e primeiras exibições dos filmes.
Serviço
Revisão do Cinema Novo – Mostra de 32 filmes do movimento. De hoje ao dia 21 de janeiro, no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul, Trecho 2). Ingressos a R$ 4 (inteira). Mais informações pelo telefone 3310-7087 ou no site http://www.bb.com.br/cultura.
Programação
Terça-feira
18h30 – Aruanda (20 min) + A Grande Feira (91 min)
20h40 – Arraial do Cabo (17 min) + Cinco Vezes Favela (90 min)
Quarta-feira
19h – Tocaia no Asfalto (101 min)
18h30 – Aruanda (20 min) + A Grande Feira (91 min)20h40 – Arraial do Cabo (17 min) + Cinco Vezes Favela (90 min)19h – Tocaia no Asfalto (101 min)21h – Porto das Caixas (80 min)
21h – Porto das Caixas (80 min)
Quinta–feira
18h30 – Ganga Zumba (100 min)
20h20 – Deus e o Diabo na Terra do Sol (125 min)
Sexta–feira
17h – Amazonas, Amazonas (15 min) + Barravento (80 min)
18h40 – Bahia de Todos os Santos (100 min)
20h30 – O Circo (15 min) + O Padre e a Moça (90 min)
Sábado
17h – O Desafio (81 min)
19h – A Grande Cidade (85 min)
20h40 – Menino de Engenho (110 min)
Domingo
16h – Terra em Transe (115 min)
18h – A Opinião Pública (65 min)
19h30 – O Homem Nu (118 min)
Dia 9
18h30 – Brasil Verdade (130 min)
21h – A Vida Provisória (85 min)
Dia 10
19h – O Bravo Guerreiro (80 min)
20h40 – Maranhão 66 (11 min) + O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (95 min)
Dia 11
17h – Cinema Novo (30 min) + O Mestre dos Apipucos (8 min) + O Poeta do Castelo (10 min) + Brasília, Contradições de uma Cidade Nova (23 min)
19h – Macunaíma (108 min)
21h – Memória de Helena (80 min)
Dia 12
17h – Brasil Ano 2000 (95 min)
18h50 – Os Herdeiros (110 min)
20h50 – Ganga Zumba (100 min)
Dia 13
17h – O Bravo Guerreiro (80 min)
18h30 – Amazonas, Amazonas (15 min) + Barravento (80 min)
20h30 – Aruanda (20 min) + A Grande Feira (91 min)
Dia 14
15h – Arraial do Cabo (17 min) + Cinco Vezes Favela (90 min)
17h – Tocaia no Asfalto (101 min)
19h – Deus e o Diabo na Terra do Sol (125 min)
Dia 16
17h – Memória de Helena (80 min)
18h40 – Menino de Engenho (110 min)
20h50 – Bahia de Todos os Santos (100 min)
Dia 17
17h – O Padre e a Moça (90 min)
19h – A Grande Cidade (85 min)
21h – O Circo (15 min) + A Opinião Pública (65 min)
Dia 18
17h – Os Herdeiros (110 min)
19h – Terra em Transe (115 min). Sessão seguida de mesa redonda sobre o tema "Herança do Cinema Novo"
Dia 19
16h30 – O Homem Nu (118 min)
18h40 – O Desafio (81 min)
20h20 – Brasil Verdade (130 min)
Dia 20
17h – Porto das Caixas (80 min)
19h – Cinema Novo (30 min) + O Mestre dos Apipucos (8 min) + O Poeta do Castelo (10 min) + Brasília, Contradições de uma Cidade Nova (23 min)
20h30 – Macunaíma (108 min)
Dia 21
16h – Maranhão 66 (11 min) + O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro
18h – Brasil Ano 2000 (95 min)
20h – A Vida Provisória (85 min)