Planos-seqüência, equipes pequenas, poucos equipamentos, participação de atores não-profissionais, iluminação natural e tramas ligadas à realidade: assim eram produzidos os filmes do movimento neo-realista.
E o público de Brasília terá a oportunidade de conhecer alguns dos mais importantes filmes desse movimento – que revolucionou a história do cinema mundial – na mostra Olhares Neo-realistas, que abre nesta terça-feira no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
Durante três semanas, até 11 de fevereiro, o espectador poderá assistir a obras-primas como Roma, Cidade Aberta; Ladrões de Bicicleta e Obsessão.
Nascido na Itália pelas mãos de mestres como Roberto Rossellini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti, o movimento coloca o foco dos filmes sobre os pequenos dramas da vida real do cidadão comum, aproximando a linguagem cinematográfica da realidade – uma contracultura em reação às megaproduções hollywoodianas.
A origem do movimento remonta ao período imediato da pós-Segunda Guerra Mundial, quando a Europa, dilacerada pelo conflito, olhava o futuro com perplexidade e reunia os escombros. Neste contexto, um grupo de cineastas decidiu deixar de lado as grandes produções de estúdio e as tramas fúteis para fazer um cinema calcado na realidade, revelando a miséria, os contrastes, e a face do cidadão comum europeu.
Com um total de 35 filmes e curadoria de Gisella Cardoso Franco, a mostra Olhares Neo-realistas vai exibir os principais filmes do neo-realismo italiano, além de títulos realizados por cineastas de outros países influenciados pelo movimento.
Filmes brasileiros também fazem parte da programação: o cinema independente e o Cinema Novo representam as influências máximas do neo-realismo no Brasil.
A mostra começa com Toni, de Jean Renoir – que, segundo os críticos, antecipou questões e características do movimento quase dez anos antes.
Programação
Terça-feira
14h – Toni, de Jean Renoir (França, 1935)
16h – Aniki Bóbó, de Manoel de Oliveira (Portugal, 1942)
18h – Obsessão, de Luchino Visconti (Itália, 1943)
20h30 – Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini (Itália, 1945)
Quarta-feira
14h – Vítimas da Tormenta, de Vittorio De Sica (Itália, 1946)
16h – Paisá, de Roberto Rossellini (Itália, 1946)
18h – Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini (Itália, 1947)
19h30 – A Terra Treme, de Luchino Visconti (Itália, 1948)
Quinta-feira
15h – Arroz Amargo, de Giuseppe De Santis (Itália, 1949)
17h – Umberto D, de Vittorio De Sica (Itália, 1952)
19h – A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo (Itália, 1966)
21h – A Cidade se Defende, de Pietro Germi (Itália, 1951)
Sexta-feira
15h – Umberto D, de Vittorio De Sica (Itália, 1952)
17h – Rio, 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos (Brasil, 1955)
19h – Aniki Bóbó, de Manoel de Oliveira (Portugal, 1942)
21h – Os Esquecidos, de Luis Buñuel (México, 1950)
Sábado
15h – Toni, de Jean Renoir (França, 1935)
17h – El Mégano, de Julio García Espinosa e Tomás Gutiérrez Alea (Cuba, 1955) e O Jovem Rebelde, de Julio García Espinosa (Cuba, 1962)
18h50 – Tire Dié e Los Inundados, de Fernando Birri (Argentina, 1960 e 1961)
20h50 – Sem Piedade, de Alberto Lattuada (Itália, 1948)
Domingo
16h – Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini (Itália, 1947)
18h – Paisá, de Roberto Rossellini (Itália, 1946)
20h – A Cidade se Defende, de Pietro Germi (Itália, 1951)
Mostra Olhares Neo-Realistas – De 23 de janeiro a 11 de fevereiro, com sessões diárias. Ingressos a R$ 4 e R$ 2.