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Mostra exibe o melhor da pornochanchada

Arquivo Geral

07/09/2004 0h00

No dicionário, a palavra erotismo significa amor, paixão. No cinema nacional ela se resume em um nome: Carlo Mossy. Ele será o homenageado do projeto Encontro com o Cinema Brasileiro, que começa hoje, no Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil.

Nascido em Telaviv, Israel, e batizado Moisés Abraão Goldal, Mossy veio para o Brasil em 1950. Já pensando na carreira artística, fez o curso de Arte Dramática Yves Furet, em Paris, 1965, e estudou na Stanford Drama School of Los Angeles, EUA, 1965.

Em 1968, foi convidado a estrear no cinema sob a direção de Antonio Carlos da Fontoura no clássico Copacabana me Engana (1968). Ao lado de Odete Lara e Cláudio Marzo, ele interpretou o jovem de classe média Marquinhos, envolvido num triângulo amoroso com seu irmão e uma mulher mais velha.

Foi o primeiro passo de uma carreira repleta de filmes em que ele atuou como ator, produtor e diretor, durante as décadas de 70 e 80. Por exemplo, Com as Calças na Mão, Quando as Mulheres Querem Provas, As Granfinas e o Camelô, As Massagistas e outros.

AlmaHoje, ele se orgulha muito do que fez. “O que produzíamos era cinema com alma, e não esses filmes de hoje, que são puro clichê televisivo”, pensa. “Sem falar que tirávamos dinheiro do nosso bolso, enquanto hoje os produtores recebem dinheiro mais facilmente”, completa.

A paixão pelo cinema o levou a estrear na direção com a comédia Com as Calças na Mão (1975) e na produção com o drama Giselle (1980), dirigido por Victor di Mello, no qual também atuava. O filme mostrou o primeiro beijo gay da história do cinema (protagonizado por ele e pelo ator Ricardo Farias) e foi considerado o primeiro filme pornográfico brasileiro.

A cena atual do cinema erótico, na opinião de Mossy, não existe. “O que há é o cinema pornográfico, outra expressão artística. Mas a cultura do prazer, como fazíamos, ninguém mais faz”, avalia.

PovãoAinda sobre a atualidade, ele reconhece que a aceitação às suas obras aumentou muito. “O público hoje vê diariamente na televisão pornochanchadas mais pesadas nas novelas. Elas são piores, porque contêm inferências submilinares. Nossos filmes eram emoldurados por peitinhos, bundinhas, só isso. Era cinema para o povão”, afirma.

As sessões no CCBB serão até domingo, sempre às 18h30 e 20h30, com exceção de amanhã, que terá sessão única do filme Quando as Mulheres Querem Provas, seguida de debate com Mossy. Nesse dia, a entrada é franca. “Espero encontrar na platéia principalmente estudantes de cinema e saudosistas daquele tempo. Pessoas que se casaram ou se separaram por causa dos meus filmes”, brinca.

Hoje, aos 56 anos, continua envolvido com a cultura. Está escrevendo uma crônica autobiográfica intitulada Tantas Coisas para Dizer e trabalha no roteiro que apresenta uma adaptação do conto Relações Perversas de Machado de Assis. “Esse filme foge das minhas tradicionais comédias. Será uma história sobre o futuro do Brasil, em que não haverá mais homens férteis. Assim, um mulherengo será trazido do passado para engravidar duas mil mulheres”, adianta. Ele, claro, fará o papel do mulherengo.

Serviço

Erotismo – Mostra de títulos identificados como cinema erótico brasileiro. De hoje a domingo, sessões às 18h30 e 20h30, no Centro Cultural Banco do Brasil. (Setor de Clubes Sul, trecho 2). Ingressos a R$ 4 (inteira). Amanhã, sessão às 19h, seguida de debate com Carl

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    07/09/2004 0h00

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    Nascido em Telaviv, Israel, e batizado Moisés Abraão Goldal, Mossy veio para o Brasil em 1950. Já pensando na carreira artística, fez o curso de Arte Dramática Yves Furet, em Paris, 1965, e estudou na Stanford Drama School of Los Angeles, EUA, 1965.

    Em 1968, foi convidado a estrear no cinema sob a direção de Antonio Carlos da Fontoura no clássico Copacabana me Engana (1968). Ao lado de Odete Lara e Cláudio Marzo, ele interpretou o jovem de classe média Marquinhos, envolvido num triângulo amoroso com seu irmão e uma mulher mais velha.

    Foi o primeiro passo de uma carreira repleta de filmes em que ele atuou como ator, produtor e diretor, durante as décadas de 70 e 80. Por exemplo, Com as Calças na Mão, Quando as Mulheres Querem Provas, As Granfinas e o Camelô, As Massagistas e outros.

    AlmaHoje, ele se orgulha muito do que fez. “O que produzíamos era cinema com alma, e não esses filmes de hoje, que são puro clichê televisivo”, pensa. “Sem falar que tirávamos dinheiro do nosso bolso, enquanto hoje os produtores recebem dinheiro mais facilmente”, completa.

    A paixão pelo cinema o levou a estrear na direção com a comédia Com as Calças na Mão (1975) e na produção com o drama Giselle (1980), dirigido por Victor di Mello, no qual também atuava. O filme mostrou o primeiro beijo gay da história do cinema (protagonizado por ele e pelo ator Ricardo Farias) e foi considerado o primeiro filme pornográfico brasileiro.

    A cena atual do cinema erótico, na opinião de Mossy, não existe. “O que há é o cinema pornográfico, outra expressão artística. Mas a cultura do prazer, como fazíamos, ninguém mais faz”, avalia.

    PovãoAinda sobre a atualidade, ele reconhece que a aceitação às suas obras aumentou muito. “O público hoje vê diariamente na televisão pornochanchadas mais pesadas nas novelas. Elas são piores, porque contêm inferências submilinares. Nossos filmes eram emoldurados por peitinhos, bundinhas, só isso. Era cinema para o povão”, afirma.

    As sessões no CCBB serão até domingo, sempre às 18h30 e 20h30, com exceção de amanhã, que terá sessão única do filme Quando as Mulheres Querem Provas, seguida de debate com Mossy. Nesse dia, a entrada é franca. “Espero encontrar na platéia principalmente estudantes de cinema e saudosistas daquele tempo. Pessoas que se casaram ou se separaram por causa dos meus filmes”, brinca.

    Hoje, aos 56 anos, continua envolvido com a cultura. Está escrevendo uma crônica autobiográfica intitulada Tantas Coisas para Dizer e trabalha no roteiro que apresenta uma adaptação do conto Relações Perversas de Machado de Assis. “Esse filme foge das minhas tradicionais comédias. Será uma história sobre o futuro do Brasil, em que não haverá mais homens férteis. Assim, um mulherengo será trazido do passado para engravidar duas mil mulheres”, adianta. Ele, claro, fará o papel do mulherengo.

    Serviço

    Erotismo – Mostra de títulos identificados como cinema erótico brasileiro. De hoje a domingo, sessões às 18h30 e 20h30, no Centro Cultural Banco do Brasil. (Setor de Clubes Sul, trecho 2). Ingressos a R$ 4 (inteira). Amanhã, sessão às 19h, seguida de debate com Carl

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