O vídeo é uma tecnologia muito acessível. Todo mundo já produziu alguma coisa com ele, nem que seja a gravação de uma festinha de um primo. O que muita gente ainda não conhece é a produção artística que é feita com esse suporte, a chamada videoarte. O Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), vai fazer uma mostra em Brasília que trará o principal da produção brasileira de videoarte nos últimos 30 anos.
Do dia 13 ao dia 25 de março, o Panorama da Vídeo-Criação no Brasil exibirá obras inéditas e fundamentais para a compreensão dessa expressão artística no País. Essa expressão teve origem nos anos 60, com o trabalho do coreano Nam June Paik. A produção nacional começou com o pioneiro M3X3, de Analívia Cordeiro, o mais antigo video artístico brasileiro preservado, que está presente no roteiro da mostra.
O vídeo se expandiu como suporte para uma linguagem poética, principalmente porque ele era muito eficiente para fugir da censura. "O vídeo proporcionava uma independência dos laboratórios de imagem e som, que eram controlados pela censura durante a ditadura militar", explica o curador Rafael Sampaio.
Nos anos 80, os artistas começaram a se preocupar em conquistar um espaço na televisão, para aumentar o circuito de exibição de suas obras. Já a partir da década de 90, com os avanços tecnológicos, houve um boom na produção de vídeos artísticos no Brasil. Apesar disso, ela ainda é muito pouco divulgada. "Há um paradoxo na produção de videoarte. O acervo é muito vasto, mas é de difícil acesso", conta Sampaio.
A mostra contará com 11 programas, que trarão toda essa história, tão pouco conhecida, da vídeo-criação no cenário nacional. Eles serão divididos por temas, décadas e, até mesmo, dedicados a um único artista que teve uma contribuição mais emblemática.
A abertura de Panorama da Video-Criação no Brasil vai trazer o lançamento da obra E/Ou, da pioneira Analívia Cordeiro.
E/Ou compara a década de 70 a hoje, trinta anos depois de M3X3. "Nesse video, proponho uma outra atitude. Uma atitude mais sensível. É uma obra bem mais intimista, nela o universo pessoal está equilibrado”, explica Cordeiro.
A artista tenta, com esse vídeo, promover uma nova maneira de encarar a tecnologia, que, segundo ela, é fria e dura. "Eu trabalho com o mundo frio da tecnologia, mas quero encarar isso com uma proposta diferente e que funcione. É preciso construir um universo pessoal que dê fim ao desequilíbrio da vida atual”, conta Analívia.
Apesar da complexidade do tema, a obra não é um trabalho intelectualizado. É um trabalho para o grande público, fácil de ser entendido. "Alguns intelectuais se frustam com esse vídeo. Eles falam é só isso? Mas é tão simples", brinca a artista.
Era digital
O curador Rafael Sampaio, além da mostra no CCBB, possui outro projeto para divulgar o acervo video artístico brasileiro. É um site que pretende disponibilizar a produção e conteúdo teórico sobre videoarte e incitar a discussão sobre o tema.
"Hoje em dia, qualquer um pode produzir video, mas nem todo mundo conhece a teoria. Esse uso indiscriminado pode ser perigoso. Por isso, queremos disponibilizar esse acervo e criar a discussão do que pode e deve ser feito em termos de videoarte", explica Sampaio.
O site, que também divulgará a produção dos internautas, além dos vídeos históricos, está previsto para dezembro desse ano.
Confira a programação da mostra
13/03 (terça)
20h30: Sessão especial de abertura com o lançamento nacional do vídeo E/Ou, de Analívia Cordeiro.
* Esta sessão não é recomendada para menores de 12 anos
14/03 (quarta)
19h30: Programa 1: Pioneiros (tempo total: 63’)
* Este programa não é recomendado para menores de 12 anos
21h: Programa 2: Andrea Tonacci (tempo total: 70’)
* Este programa não é recomendado para menores de 14 anos
15/03 (quinta)
19h30: Programa 10: TV Arte/Avesso (tempo total: 45’)
* Este programa não é recomendado para menores de 12 anos
21h: Programa 4: 1980/Abertura (tempo total: 78’)
* Este programa não é recomendado para menores de 14 anos
16/03 (sexta)
19h30: Programa 7: 1990/00 (tempo total: 49’)
* Este programa não é recomendado para menores de 14 anos
21h: Programa 5: 1980/90 (tempo total 61’)
* Este programa não é recomendado para menores de 16 anos
17/03 (sábado)
19h30: Programa 6: 1980/90 (tempo total: 50’)
* Este programa não é recomendado para menores de 12 anos
21h: Programa 8: 1990/00 (tempo total: 70’)
* Este programa não é recomendado para menores de 14 anos
18/03 (domingo)
18h30: Programa 9: TV Arte (tempo total: 41’)
* Este programa não é recomendado para menores de 12 anos
20h: Programa 3: Rafael França (tempo total: 66’)
* Este programa não é recomendado para menores de 14 anos
20/03 (terça)
19h30: Programa 11: Vídeo nas Aldeias (tempo total: 70’)
* Este programa é livre para todos os públicos
21h: Programa 1: Pioneiros (tempo total: 63’)
* Este programa não é recomendado para menores de 12 anos
21/03 (quarta)
19h30: Programa 2: Andrea Tonacci (tempo total: 70’)
* Este programa não é recomendado para menores de 14 anos
21h: Programa 9: TV Arte (tempo total: 41’)
* Este programa não é recomendado para menores de 12 anos
22/03 (quinta)
19h30: Programa 4: 1980/Abertura (tempo total: 78’)
* Este programa não é recomendado para menores de 14 anos
21h: Programa 5: 1980/90 (tempo total: 61’)
* Este programa não é recomendado para menores de 16 anos
23/03 (sexta)
19h30: Programa 6: 1980/90 (tempo total: 50’)
* Este programa não é recomendado para menores de 12 anos
21h: Programa 3: Rafael França (tempo total: 66’)
* Este programa não é recomendado para menores de 14 anos
24/03 (sábado)
19h30: Programa 8: 1990/00 (tempo total: 70’)
* Este programa não é recomendado para menores de 12 anos
21h: Programa 7: 1990/00 (tempo total: 49’)
* Este programa não é recomendado para menores de 12 anos
25/03 (domingo)
18h30: Programa 10: TV Arte /Avesso (tempo total: 45’)
* Este programa não é recomendado para menores de 12 anos
20h: Programa 11: Vídeo nas Aldeias (tempo total: 70’)
* Este programa é livre para todos os públicos
Panorama da Vídeo-Criação no Brasil – De 13 a 25 de março, sessões às 19h30 e às 21h. Mostra sobre a produção brasileira de videoarte nos últimos 30 anos. Ingressos a R$ 4 (inteira). No Centro Cultural Banco do Brasil.