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Mostra de cinema polonês presta homenagem ao diretor Krzysztof Zanussi

Arquivo Geral

03/11/2006 0h00

Um dos mais conhecidos e renomados cineastas poloneses, Krzysztof Zanussi, abre nesta sexta-feira o Festival do Cinema Polonês, que traz à cidade as principais produções do diretor. O evento começa com a exibição de O Galope.

"Todos os filmes do festival foram premiados e são inéditos no Brasil", informou a encarregada da Secretaria para Assuntos Culturais da Embaixada da Polônia, Katarzyna Zdulska. Ela comentou que, "talvez pela dificuldade de tradução e, ainda, pela falta de interesse dos exibidores brasileiros, o cinema polonês é pouco conhecido por aqui".

De fato. Com exceção de Krzysztof Kielowski – que produziu a trilogia A Liberdade é Azul, A Fraternidade é Vermelha e A Igualdade é Branca  – e de Roman Polanski, as salas comerciais do País pouco exibem as produções polonesas.

"No entanto, tanto os filmes de Zanussi quanto os de Andrzej Wajda são bastante conhecidos e premiados na Europa", afirmou Katarzyna. Ambos cineastas são considerados ícones da vida cultural polonesa. Pelo conjunto de sua obra, Wajda chegou a receber prêmios honorários no Festival de Berlim e na entrega do Oscar.

Em seus filmes, tais como O Homem de MármoreO Homem de Ferro, que venceu a Palma de Ouro em Cannes, fica evidente a determinação em denunciar a opressão que a Polônia viveu, e em registrar a coragem dos poloneses durante as grandes guerras que devastaram seu país.

Zanussi, por sua vez, é considerado por muitos o maior representante da tardia nouvelle vague polonesa. Antes de se dedicar ao cinema, Zanussi estudou Física na Universidade de Varsóvia, e Filosofia na de Cracóvia. Logo em seguida, porém, em 1960, iniciou a faculdade de Direção de Cinema na mundialmente famosa Escola de Lodz, celeiro de onde saiu também Polanski.

Dez anos depois, Zanussi estreou como diretor em A Estrutura de Cristal, premiado em Valladolid (Espanha), Mar del Plata (Argentina) e no Panamá. O seguinte, Vida Familiar, de 1971, é uma feroz crítica à corrupção e à burocracia que imperavam na Polônia daquela época. A produção foi premiada em Valladolid e em Chicago. Os dois filmes seguintes, Iluminação, de 1973, e Camuflagem, de 1977, têm também em comum uma série de prêmios internacionais.

Os filmes produzidos por Zanussi, nos anos que se seguiram, com exceção de Imperativ, serão exibidos agora em Brasília durante o festival. Também não será apresentada a última produção do diretor, Persona Non Grata, de 1995. "Esse é o único filme do diretor que é conhecido pelo público brasileiro", informou Katarzyna. No ano passado, ele foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Brasília.

O filme de estréia da mostra, O Galope,  de 1995, conta a história de um jovem polonês que deixa a sua província para morar em Varsóvia com uma tia. A paixão que ambos têm por cavalos é o pano de fundo para a trama, permeada pelos esportes hípicos que começam a praticar juntos. A produção recebeu o Prêmio Especial do Júri do Festival Internacional de Cinema de Tóquio.

Depois será a vez de Constans, de 1980, premiado em Cannes, e mostra o cidadão Witold em sua luta por viver dentro das regras aprendidas na infância, a despeito da mentira e corrupção aceitas por seus pares. O Ano do Sol Tranqüilo, de 1984, será exibido neste domingo. Ambientado em 1954, o filme relata a chegada de uma missão americana à Polônia, a fim de encontrar as covas dos aliados assassinados pelos nazistas durante a guerra. Um deles se apaixona por uma polonesa, Emília. Os idiomas diferentes dificultam a comunicação. Mesmo assim, planejam se unirem nos EUA. Por causa de um mal-entendido, o plano falha – e, muitos anos depois, em um lar para idosos, Emília recebe uma herança e intenta viajar para realizar o desejo de toda sua vida. A produção recebeu o Leão de Ouro em Veneza.

A Vida como Doença Fatal Sexualmente Transmissível é o filme a ser exibido na segunda-feira, dia 6. Premiado em Moscou e na Califórnia, o filme de 2000 conta a saga de Santo Bernardo de Clairvaux em propagar as Cruzadas. Na praça central de uma pequena cidade do interior, um cadafalso está sendo preparado para o enforcamento de um ladrão de cavalos. No desenrolar do drama, o padre luta para adiar a execução com o intuito de preparar o condenado para a morte.

Na terça-feira, será a vez de Esteja Onde Estiver, de 1988. No filme, Zanussi relata a história de um diplomata uruguaio que chega à Polônia para desvendar as circunstâncias do assassinato de sua mulher pelos nazistas.

O festival será encerrado com a projeção de O Toque Silencioso, de 1992. Nele, Stefan Bugajski, um estudante de música, com dons parapsicológicos, sonha toda noite com um som misterioso. Ele imagina ser um fragmento de uma peça maior. Não se arriscando a compor a música sozinho, almeja que o trabalho seja feito pelo famoso compositor Henri Kesdi – que, há 40 anos, escolheu viver no silêncio e no isolamento. Depois de muito insistir, Kesdi concorda e contrata uma jovem para ajudá-lo.

Programação
Sexta-feira (Dia 3 de novembro) – O Galope
Sábado (Dia 4 de novembro) – Constans
Domingo (Dia 5 de novembro) – O Ano do Sol Tranqüilo
Segunda-feira (Dia 6 de novembro) – A Vida como Doença Fatal Sexualmente Transmissível
Terça-feira (Dia 7 de novembro) – Esteja Onde Estiver
Quarta-feira (Dia 8 de novembro) – O Toque Silencioso

Festival do Cinema Polonês – De 3 a 8 de novembro, às 21h, no Cine Brasília. Entrada franca.

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