A uruguaia Lágrima Ríos, primeira mulher negra a cantar tango, morreu aos 82 anos por complicações cardíacas, informou na terça-feira a imprensa local.
Ríos, filha de uma faxineira com um jornaleiro nascida na cidade de Durazno, a cerca de 180 quilômetros ao norte de Montevidéu, levou o tango e o candomblé para o exterior, onde fez parcerias com músicos como Aníbal Troilo, Alberto Castillo e Celia Cruz.
O candomblé é uma herança dos escravos africanos que chegaram no continente americano na época colonial.
A artista, que viveu por vários anos na Espanha e na África do Sul fazendo constantes denúncias contra o racismo da sociedade uruguaia, faleceu na segunda-feira à noite, em um hospital em Montevidéu onde estava internada há vários dias.
Ríos, cujo verdadeiro nome era Lida Benavídez, relembrou há alguns anos, em entrevista concedida para o site do Partido Socialista, os maus tratos que recebeu do embaixador uruguaio na Alemanha durante um dos shows que fez na Europa com sua banda.
"Eles nos fizeram entrar pela cozinha. Para Walter Silva, músico que nos acompanhava, eles providenciaram um quarto e para mim, eles cederam um escritório com uma poltrona e cobertores para que eu fizesse uma cama e dormisse lá", declarou a cantora.
Em carreira que durou mais de 60 anos, Ríos gravou em 1972 o álbum La Perla Negra del Tango e em 1999 outro disco chamado Cantando Sueños.