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Morre, em Berlim, o dramaturgo húngaro George Tabori, aos 93 anos

Arquivo Geral

25/07/2007 0h00


O autor e diretor teatral húngaro de origem judaica George Tabori morreu na segunda-feira em Berlim aos 93 anos, segundo informou ontem o diretor da Berliner Ensemble, Claus Peymann, seu grande admirador.

Nascido em Budapeste, no dia 24 de maio de 1914, Tabori foi um notável expoente do cosmopolitismo, já que ao longo de sua vida trabalhou em 17 países diferentes para acabar se estabelecendo na Alemanha cujo passado nazista abordou a partir da perspectiva do humor cáustico.

Sua primeira experiência berlinense remonta aos seus 18 anos, quando chegou à cidade como filho de um jornalista para trabalhar de aprendiz no mítico Hotel Adlon.

Em 1936 foi para Londres, depois se tornou correspondente para a BBC nos Bálcãs e mais tarde serviu como agente dos serviços secretos britânicos no Oriente Médio.

A Alemanha nazista podou sua vida familiar. Seu pai morreu em um campo de concentração e perdeu outros membros de sua família em Auschwitz.

Em 1945 adquiriu a nacionalidade britânica e em 1947 cruzou o Atlântico para ir trabalhar em Hollywood, onde além de traduzir a obra de Bertolt Brecht para o inglês escreveu roteiros para diretores como Alfred Hitchcock.

Em 1968 sentiu que tinha chegado o momento de retornar a Berlim, onde estreou uma de suas obras mais célebres, Die Kannibalen, e com a qual iniciou um longo périplo criativo, como dramaturgo, que o levou a Munique, Viena, Bremen e outras cidades.

No começo de 1999, se estabeleceu definitivamente na capital alemã e um ano mais tarde estreou Die Akte Brecht, uma obra sobre a espionagem a que foi submetido, por parte dos serviços secretos americanos, o dramaturgo Bertolt Brecht, e que serviu para inaugurar a etapa de Peymann como diretor da Berliner Ensemble.

Tabori estava ligado ao legado Brecht desde muito antes. A partir da Madre Coraje do dramaturgo e poeta alemão, escreveu uma obra teatral com esse mesmo título, em 1979, na qual explicava a rocambolesca história de sua mãe para se salvar da deportação para Auschwitz.

Em 1987, também fruto de sua peculiar forma de entender o drama e o humor, escreveu a comédia de humor negro Mein Kampf (Minha luta), o mesmo título que Adolf Hitler deu a seu ideário nazista.

No total, Tabori escreveu cerca de 50 obras de teatro, algumas novelas, narrações curtas e roteiros cinematográficos.

A última etapa de sua vida foi difícil. Perdeu praticamente a visão em um olho e perdeu boa parte de faculdades psicomotoras.

No entanto, continuava sendo considerado o dramaturgo mais velho em atividade e Peymann mantinha alguns de seus títulos na programação do Berliner Ensemble.

Tabori morreu acompanhado nos últimos momentos por sua esposa, a atriz alemã Ursula Höpfner.

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