O cineasta francês Gérard Oury, cujas comédias ágeis dos anos 1960 e 1970 fizeram dele um dos mais bem-sucedidos diretores da França, morreu na quinta-feira, aos 87 anos, informou sua filha.
Os filmes mais conhecidos de Oury, muitos estrelados pela figura careca e irascível de Louis de Funès, exemplificavam as virtudes cômicas do ritmo ágil e da construção cuidadosa, mas também, com frequência, eram fundamentados em fatos da época ou do passado recente.
Em um de seus maiores sucessos, As Loucas Aventuras do Rabbi Jacob, De Funès interpreta um empresário francês preconceituoso que é obrigado a se passar por rabino para fugir de assassinos.
Lançado em 1973, na época da Guerra do Yom Kippur, o filme ganhou popularidade enorme, mas também valeu ameaças de morte a Oury, que, em uma reação que parecia saída de um de seus filmes, passou a carregar uma arma escondida em uma bolsa Louis Vuitton.
Em entrevista concedida em 2001 ao Figaro, Oury disse: "Foi um risco tratar de religião, racismo e xenofobia por meio de uma comédia. Nós juntamos três grandes religiões: judaísmo, cristianismo e islã. A mistura mental e religiosa mostrada no filme corresponde a minhas próprias convicções profundas, minhas dúvidas e meus temores."
Representando uma tradição muito diferente daquela dos diretores da "Nouvelle Vague" francesa, como Jean-Luc Godard ou François Truffaut, cujos filmes dominaram a imagem do cinema francês no exterior, Oury iniciou sua carreira no cinema como ator.
Filho de um violinista judeu, ele foi forçado a deixar a França em 1940, devido à ocupação nazista. Oury retornou ao país após a 2a Guerra Mundial e dirigiu seu primeiro filme em 1959.
Uma série de sucessos se seguiu ao filme A Grande Escapada, de 1966, comédia ambientada durante a ocupação nazista e que se tornou o filme de maior sucesso na França até "Titanic", mais de 30 anos mais tarde.
Sua filha Daniele Thompson, ela própria uma cineasta notável, disse que a morte de Oury aconteceu após uma doença que se prolongou por vários meses. "Meu pai morreu pacificamente em casa, acompanhado por sua família e sua mulher", disse ela.
O presidente francês Jacques Chirac liderou os tributos a Oury, descrevendo o cineasta como "diretor e roteirista imensamente popular, amado pelo público, mestre do riso e do bom humor".