O autor de obras como O Crime do Século, Uma Temporada no Purgatório e Os Colunáveis lutava há anos contra o câncer de próstata que o vitimou nesta quarta-feira, disse à revista Vanity Fair seu filho, o cineasta Griffin Dunne.
No último ano, Dunne viajou à Alemanha e à República Dominicana para receber um tratamento experimental com células-tronco. Então, já tinha abandonado sua coluna na Vanity Fair e estava concentrado em dar os últimos retoques em seu último romance, Too Much Money, que será lançado em dezembro.
Nascido em Hartford (Estados Unidos) em uma família irlandesa e católica, o escritor ganhou fama em 1985 com a publicação de The Two Mrs. Greenville e voltou a conhecer o sucesso editorial cinco anos depois com Uma Mulher Inconveniente.
Entretanto, sua verdadeira popularidade foi resultado de seu trabalho como colunista da “Vanity Fair” e do fato de ter sido testemunha de alguns dos julgamentos mais célebres dos EUA, como o da ex-estrela de futebol americano O.J. Simpson.
Também esteve presente nos julgamentos do aristocrata Claus von Bulow, de Wiliam Kennedy Smith, do clã Kennedy, e do produtor musical Phil Spector, entre outros.
Em seus textos, Dunne costumava mostrar mais simpatia pela vítima do que pelo acusado, diz o The New York Times, que atribuiu essa preferência à tragédia que sacudiu sua família em 1982 quando sua filha, a atriz Dominique Dunne, foi estrangulada por seu ex-namorado.
O assassino foi considerado culpado por homicídio culposo e, por isso, cumpriu uma pena de somente três anos de prisão, o que enfureceu o romancista.
Sua longa relação com a Vanity Fair começou quando a revista o convidou a expor em suas páginas suas reflexões sobre o assassinato de sua filha, o que posteriormente o levou a iniciar uma coluna que misturava intriga sobre a alta sociedade e informações exclusivas sobre polêmicos processos judiciais.
O êxito de Dunne durante a última metade de sua vida contrasta com o fracasso de sua passagem por Hollywood, após servir como soldado na Segunda Guerra Mundial.
Na meca do cinema, disputou espaço nos anos 50 e 60 com estrelas como Cary Grant e Frank Sinatra, mas a dependência ao álcool e às drogas afundaram sua carreira.
Depois disso, se retirou a uma pequena cabana no estado americano do Oregon, na qual escreveu seu primeiro romance, com o qual iniciou sua carreira de escritor.