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Monólogo com Adeilton Lima estréia no teatro Oficina do Perdiz

Arquivo Geral

29/06/2007 0h00

O discurso vazio e a embromação compõem o tema da peça A Conferência, que estará em cartaz a partir de hoje no Teatro Oficina do Perdiz. Até domingo e também no próximo final de semana, Adeilton Lima irá apresentar o monólogo de sua autoria, onde aborda com fina ironia, muito humor e aguçada crítica, a prática corrente de muitos agentes públicos de se apresentarem com muita verborragia e pouca veracidade.

A peça simula a apresentação de um palestrante que, em uma retórica enganadora, não entra nunca no tema do encontro. “Na encenação, teço críticas a respeito de alguns tipos de discurso que estamos cansados de observar. Não somente entre os políticos, mas também no meio religioso, empresarial, acadêmico e artístico”, afirmou Adeilton.

Para ele, a peça é uma oportunidade de transmitir um pouco de sua indignação com as mazelas do País. “A receptidade do público com a abordagem da peça, que estreou em Brasília no ano passado, foi bastante animadora. E espero mesmo que, desta vez também, eles se identifiquem com as críticas levantadas e que estejam tão revoltados, preocupados e decepcionados quanto eu com tanta corrupção dos políticos e seus falsos discursos”, afirmou.

O texto da peça é resultante de um trabalho desenvolvido pelo autor em uma oficina de dramaturgia promovido pela Funarte em 2004, sob a orientação da premiada autora teatral Isis Baião. “Eu já tinha a idéia do monólogo em mente. A oficina me ofereceu os meios de estruturar toda a carpintaria teatral”, ressaltou. Em 2006, com o texto pronto, Adeilon inscreveu o projeto no programa de seleção da Funarte e foi agraciado com o Prêmio Myriam Muniz de Teatro. No início deste mês, A Conferência conquistou o terceiro lugar no II Festival de Solos de Fortaleza.

“Faço teatro de experimentação. O propósito, com esse tipo de trabalho, é causar estranhamento, o que por sua vez, pode levar o público à reflexão. Meus trabalhos, nesse contexto, são experimentais, e o meu grande referencial é Antonin Artaud”, informou. De fato, o auge do trabalho desenvolvido pelo poeta, ator, roteirista e diretor de teatro francês foi a época em que floresceu na Europa o teatro experimental. Para Artaud, o teatro é o lugar privilegiado para a germinação de formas capazes de dirigir ou derivar forças. É onde de refaz a vida, costumava dizer.

Além da inspiração para escrever e atuar, a obra de Artaud também já foi utilizada por Adeilton para uma montagem. Além do clássico de Nicolai Gogol, Diário de Um Louco, ele montou e protaganizou a peça Para Acabar com o Julgamento de Deus escrita por Artaud em 1948. A direção da peça A Conferência está ao encargo de Cláudio Chinaski.

A Conferência – Texto e interpretação de  Adeilton Lima. Teatro Oficina do Perdiz (708/709 Norte, Bloco D, Lotes 8/10). Hoje e amanhã, às 21h, e domingo, às 20h. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Mais informações pelo telefone 3273-2364.

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