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Modo candango de fazer cinema

Arquivo Geral

05/04/2005 0h00

Curadores da mostra O Novo Cinema Brasiliense, Marcelo Díaz e Gustavo Galvão, não por acaso, são personagens do livro Cineastas de Brasília, escrito pela jornalista Raquel Maranhão Sá. A obra tem o objetivo principal de resgatar a história do cinema na cidade a partir de entrevistas com os principais cineastas brasilienses, nascidos aqui ou não.

A autora divide os capítulos em décadas e traz um perfil desses homens e mulheres que filmaram, em algum momento de suas vidas, em Brasília. Entre desconhecidos e outros nem tanto, há entrevistas com gente do porte de Vladimir Carvalho, Nelson Pereira dos Santos, Geraldo Moraes. A eles, se misturam novatos já reconhecidos como René Sampaio, Cibele Amaral e André Luís da Cunha, por exemplo.

No estilo “pingue-pongue”, as entrevistas feitas pela jornalista ajudam a definir um “modo candango de fazer cinema”, algo presente desde a inauguração da cidade, em 21 de abril de 1960. Um a um, 51 cineastas de diferentes gerações apresentam suas armas, travestidas em anseios, angústia, idéias e, principalmente, um grande amor pelo ofício que escolheram: contar histórias, verdadeiras ou fictícias, na telona. Um esforço criativo, na maioria das vezes sem muito apoio, que ajudou a alavancar a produção cinematográfica e a consolidar o cinema local. Acreditem se quiser.

“Brasília também é um celeiro de novos talentos, que colecionam prêmios em festivais nacionais e internacionais”, diz a autora que reconhece no cinema brasiliense um formato com múltiplas caras, cores e estilos. “Assim como Brasília, o cinema está formando sua própria identidade”, considera Raquel.

Uma identidade ainda imberbe, mas que possibilita perceber alguns temas comuns, como contradições sociais, angústias da classe média e experimentações visuais que misturam ficção e documentário. Muito embora, até o final dos anos 80, houvesse um predomínio de documentários.

A ficção conquistou seu espaço com o surgimento da Geração Anos 90, que revelou nomes como José Eduardo Belmonte, Mauro Giuntini e Marcius Barbieri, por exemplo. Eles abriram as portas para uma calourada que aproveita a facilidade trazida pelos novos meios, como o vídeo digital. Uma turma que, a exemplo dos veteranos, ama o cinema acima de todas as coisas.

O que não falta na obra independente Cineastas de Brasília – apesar de alguns erros de editoração, de páginas um tanto quanto pesadas, do excesso de páginas no melhor estilo “almanaque” – são declarações de amor à arte de filmar. “Faço cinema para ter um maior conhecimento da realidade e da cultura brasileira. Quero contribuir, mesmo que modestamente, para que tenhamos maior consciência dos problemas”, diz o premiado documentarista Vladimir Carvalho, diretor do clássico local Conterrâneos Velhos de Guerra, que mostra a luta dos candangos nos primeiros anos da capital.

“Somos loucos, completamente loucos. Você põe dinheiro em um curta sabendo que isso não vai render grana”, confessa André Luís da Cunha. “Gosto de filmar as pessoas, a história da cidade. Cinema brasiliense é um microrretrato do cinema brasileiro”, acredita René Sampaio, autor de Sinistro, melhor curta-metragem do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2002. Palavras que explicam as inevitáveis dificuldades de se fazer cinema na cidade. Apesar dessa espécie de “boom” de jovens cineastas atualmente.

Uma geração que tem bom conhecimento cinematográfico e influências do Cinema Novo e do Cinema Marginal. “A geração mais nova, ainda na universidade, já mostra bom apuro técnico, com trabalhos autorais e produções comerciais, sem preferência de gênero ou formato. Já dá para destacar talentos dessa safra, como a Nara Riella e o Cássio Pereira”, aposta Raquel Maranhão Sá.

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    05/04/2005 0h00

    Curadores da mostra O Novo Cinema Brasiliense, Marcelo Díaz e Gustavo Galvão, não por acaso, são personagens do livro Cineastas de Brasília, escrito pela jornalista Raquel Maranhão Sá. A obra tem o objetivo principal de resgatar a história do cinema na cidade a partir de entrevistas com os principais cineastas brasilienses, nascidos aqui ou não.

    A autora divide os capítulos em décadas e traz um perfil desses homens e mulheres que filmaram, em algum momento de suas vidas, em Brasília. Entre desconhecidos e outros nem tanto, há entrevistas com gente do porte de Vladimir Carvalho, Nelson Pereira dos Santos, Geraldo Moraes. A eles, se misturam novatos já reconhecidos como René Sampaio, Cibele Amaral e André Luís da Cunha, por exemplo.

    No estilo “pingue-pongue”, as entrevistas feitas pela jornalista ajudam a definir um “modo candango de fazer cinema”, algo presente desde a inauguração da cidade, em 21 de abril de 1960. Um a um, 51 cineastas de diferentes gerações apresentam suas armas, travestidas em anseios, angústia, idéias e, principalmente, um grande amor pelo ofício que escolheram: contar histórias, verdadeiras ou fictícias, na telona. Um esforço criativo, na maioria das vezes sem muito apoio, que ajudou a alavancar a produção cinematográfica e a consolidar o cinema local. Acreditem se quiser.

    “Brasília também é um celeiro de novos talentos, que colecionam prêmios em festivais nacionais e internacionais”, diz a autora que reconhece no cinema brasiliense um formato com múltiplas caras, cores e estilos. “Assim como Brasília, o cinema está formando sua própria identidade”, considera Raquel.

    Uma identidade ainda imberbe, mas que possibilita perceber alguns temas comuns, como contradições sociais, angústias da classe média e experimentações visuais que misturam ficção e documentário. Muito embora, até o final dos anos 80, houvesse um predomínio de documentários.

    A ficção conquistou seu espaço com o surgimento da Geração Anos 90, que revelou nomes como José Eduardo Belmonte, Mauro Giuntini e Marcius Barbieri, por exemplo. Eles abriram as portas para uma calourada que aproveita a facilidade trazida pelos novos meios, como o vídeo digital. Uma turma que, a exemplo dos veteranos, ama o cinema acima de todas as coisas.

    O que não falta na obra independente Cineastas de Brasília – apesar de alguns erros de editoração, de páginas um tanto quanto pesadas, do excesso de páginas no melhor estilo “almanaque” – são declarações de amor à arte de filmar. “Faço cinema para ter um maior conhecimento da realidade e da cultura brasileira. Quero contribuir, mesmo que modestamente, para que tenhamos maior consciência dos problemas”, diz o premiado documentarista Vladimir Carvalho, diretor do clássico local Conterrâneos Velhos de Guerra, que mostra a luta dos candangos nos primeiros anos da capital.

    “Somos loucos, completamente loucos. Você põe dinheiro em um curta sabendo que isso não vai render grana”, confessa André Luís da Cunha. “Gosto de filmar as pessoas, a história da cidade. Cinema brasiliense é um microrretrato do cinema brasileiro”, acredita René Sampaio, autor de Sinistro, melhor curta-metragem do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2002. Palavras que explicam as inevitáveis dificuldades de se fazer cinema na cidade. Apesar dessa espécie de “boom” de jovens cineastas atualmente.

    Uma geração que tem bom conhecimento cinematográfico e influências do Cinema Novo e do Cinema Marginal. “A geração mais nova, ainda na universidade, já mostra bom apuro técnico, com trabalhos autorais e produções comerciais, sem preferência de gênero ou formato. Já dá para destacar talentos dessa safra, como a Nara Riella e o Cássio Pereira”, aposta Raquel Maranhão Sá.

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