Muitas crianças estão voltando às aulas a partir de segunda-feira e, com isso, carregam nas costas um peso que pode custar caro à sua saude: as mochilas. Nesse período, os pais acabam comprando novas mochilas para os filhos. E as perguntas se repetem: qual é o melhor tipo? Quanto peso uma criança consegue suportar? E o adolescente que não quer mais usar as rodinhas?
O questionamento faz muito sentido porque as dores nas costas são mais comuns entre as crianças em idade escolar do que se pensa. Em grande parte, porque carregam mochilas pesadas como chumbo, ultrapassando os limites recomendáveis. A Organização Mundial da Saúde -OMS indica que cada criança não deve transportar mais do que 10% do seu peso.
A recomendação fica mais difícil quanto maior for o grau de escolaridade das crianças.
Nos primeiros anos de escola, ainda vai sendo possível conter o peso: porque as disciplinas são poucas e os livros também. Mas ainda assim objetos como livrinhos de história, cadernos, canetas e outros apetrechos fazem com que a mochila começe a virar uma vilã da saúde. À medida que os pimpolhos vão adolescendo, o peso dispara até ao insuportável.
equilíbrioEstudos da OMS estima que 85% da população tem, teve ou terá um dia dores lombares. Problemas que começam inclusive na infância, quando o esqueleto ainda está em formação e qualquer abuso pode comprometer o seu equilíbrio.
Mas, é bom que os pais fiquem atentos, porque além do peso, é preciso ficar esperto com relação a outras características desse objeto tão amado pelas crianças. O tamanho das mochilas e a posição em que são transportadas também podem prejudicar a estrutura óssea.
É muito comum as crianças, mas sobretudo os adolescentes, pendurarem a mochila em um dos ombros por uma questão de comodidade. Isto acaba sendo mais lesivo para o esqueleto, pois entorta a coluna, dando origem à conhecida escoliose.
E o que fazer na hora de escolher a mochila para o filho? De acordo com o ortopedista Edgar Nasser, do Hospital Santa Paula, em São Paulo, “a mochila ideal é aquela com rodízios, que pode ser puxada como mala de viagem. Se a criança e, principalmente, o adolescente se recusarem a usar esse modelo, o melhor é comprar mochilas com alças largas e garantir que sejam usadas de modo a distribuir o peso nas costas”.
larguraExistem outras dicas como evitar mochilas grandes demais, porque quanto maiores mais badulaques a criança colocará lá dentro. A largura deve acompanhar a superfície das costas da criança, não a excedendo. Ou seja, devem estar bem ajustadas ao corpo.
Independentemente do modelo, há alguns sinais a que os pais devem estar atentos, observando a postura dos filhos para detectar eventuais desvios. Assim, se a criança andar meio torta e com os ombros caídos para a frente ou desnivelados, o melhor é levá-la ao médico.
Para Nasser, é responsabilidade ainda dos pais orientar seus filhos quanto aos riscos que correm ao comprar suas mochilas escolares apenas pelo impulso da moda. “É melhor prevenir agora do que ter de recorrer a coletes ortopédicos ou mesmo a cirurgias quando o problema tomar maiores proporções”, conclui.