Drama, comédia e poesia em um mesmo espetáculo. Os atores Louise Cardoso e Marcelo Escorel trazem à Brasília a peça O Acidente e reúnem os diferentes elementos no teatro. As apresentações serão amanhã e domingo, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional.
A peça já teve uma montagem, em 2000, em São Paulo, com Denise Weinberg e Genésio de Barros. Foi também editada, ao lado de peças de outros autores, pela editora mineira Hamdan. O texto é de Bosco Brasil. “É uma narrativa poética, tem horas que vira uma peça de suspense, em outros momentos vira um romance. É uma montanha-russa de emoções”, afirma a atriz Louise Cardoso.
O Acidente conta a história de Míriam e Mário, dois colegas de trabalho que há oito anos vivem um amor platônico um pelo outro. O texto fala da dificuldade de comunicação, o medo de iniciar uma conversa, uma amizade e até mesmo um romance.
Míriam e Mário são funcionários de uma grande companhia de seguros e tudo para eles é a empresa, a vida pessoal não existe. “O texto enche a peça de pistas falsas. É um quebra-cabeça que vai ser montado no final, exige atenção da platéia”, conta Louise.
Mário organiza uma festa para comemorar o aniversário, só que apenas Míriam comparece. A partir da situação, e depois de uns goles de bebida alcóolica, eles começam um diálogo, com muita tensão, violência, romance e humor. “Com a bebida eles relaxam e lembram histórias do passado. Primeiro em relação à empresa, depois ela acaba revelando um drama que viveu”, explica Louise.
Sempre vivendo personagens extrovertidos, em O Acidente Louise Cardoso está mais séria. “É um grande exercício de ator para mim e para Escorel”, afirma. Ela é uma funcionária pública extremamente tímida, que teve sua personalidade influenciada por um acidente que mudou sua vida. Ele é sério e busca nos livros saciar o amor que sente por Míriam, o que levou o cenário a ser composto por 500 livros. “São duas pessoas estranhas, mas todo mundo que está na platéia se identifica, porque ninguém é totalmente normal”, diz a atriz.
A recepção da peça, de acordo com Louise, é feita de diferentes maneiras nas cidades que apresentam. Alguns vêem como drama. Outros, como comédia. “Tenho muita curiosidade de saber como Brasília vai receber esse texto. Mas acho que vai misturar os dois estilos”, conclui Louise, que depois da capital, continua turnê pelo Brasil.