A Prefeitura de Milão e o Ministério de Cultura italiano apresentaram nesta segunda-feira (3) os trabalhos de restauração de uma sala do Castelo Sforza da cidade, que a partir de 2009 e durante três anos permitirão constatar se os afrescos do local foram realmente pintados por Leonardo da Vinci.
O célebre pintor, escultor, arquiteto e inventor trabalhou entre 1483 e 1499 para Ludovico Sforza, mais conhecido como o Mouro, governador de Milão nesse período e que deu ao artista a tarefa de embelezar a cidade segundo os padrões renascentistas.
Entre suas tarefas estavam decorações da chamada sala das Tábuas – conhecida assim pelos painéis de madeira que recobrem as paredes – do Castelo Sforza, da qual se encarregou a partir de 1498, segundo alguns documentos achados no edifício, informou hoje em comunicado o Consistório milanês.
Os afrescos, no entanto, foram descobertos apenas no final do século XIX devido ao mal estado em que se encontrava o castelo e, apesar de todos os especialistas terem confirmado que se tratava dos traços de Leonardo na obra, ainda não está claro se ele se limitou a esboçá-los ou se chegou a pintá-los com suas próprias mãos.
A determinação do papel de Leonardo será um dos objetivos dos trabalhos de restauração, que se prolongarão por três anos devido ao mal estado e a complexidade dos afrescos.
A recuperação da obra servirá também para devolver “intensidade e força” às pinturas de Da Vinci para esta antiga sala de recepção, situada no primeiro andar do Castelo.
Leonardo da Vinci pôs todo seu talento a serviço de alguns mecenas de sua época, como Ludovico Sforza, tirano que governou Milão.
Em Milão, o mestre deixou sua marca no desenho da região de Navigli, chamada A Veneza de Lombardia e que faz parte do antigo canal da cidade que une vários lagos, assim como com seu emblemático mural A última ceia, que se encontra na igreja de Santa Maria delle Grazie.