Marcelo Sommer começou o segundo dia mergulhando todos nos anos 80. Dry Martini, cabelos frisados com enormes arranjos de flores de plástico, maquiagem rebuscada para ilustrar uma mulher que interpreta a vida como uma grande noite.
Nostálgico pelas flores, excitante pela atmosfera festiva, o desfile do sócio de João Paulo Diniz encantou a todos. O cinza é a cor base para listras, lurex, lamês. Os vestidos são acinturados, as saias evasês e com movimento ou plissadas na altura do joelho. Pijamas e roupões se transformam em roupa para sair. Camisolas viraram vestido black-tie. Shortinho para ele e para ela e muita malharia. Cores lavadas como o rosa, amarelo e o azul, além de bordados de flores, chamalotes e matelassês para não perder a suavidade. A Patachou mesclou várias referências e foi fiel ao branco absoluto, iluminado por sobreposições de bodies em cristais prata. Alguns poucos looks rosinhas. Legs, microssaias plissadas, cintura alta, jogo de faixar e recortes. Uma continuação der sua última coleção de verão.
Ainda nos desfiles do primeiro dia, deu para sentir que o verão pertence às bermudas e aos vestidos. A melhor leitura foi a da Vide Bula, que botou patinadoras na passarela num rebuscado cenário anos 80. Shorts, camisetas, macaquinhos, microvestidos. Todas as cores juntas, muitos acessórios, vinil… tudo excessivamente jovem e bem-humorado. A Cori, assinada por Alexandre Herchcovitch, mostrou a perfeita união do esportivo chique. Terninhos em tecido-toalha, vestidos-camisola, pespontos em brim e índigos, saias em camadas com babados e estampas florais em fundo preto. Tradução inteligente do guarda-roupa da mulher urbana em férias.
Ronaldo Fraga, extremamente sensível e com uma visão única da moda, aproximou mais a roupa da silhueta sem perder sua identidade. Coleção feminina, discreta, romântica em vestidos evasês acinturados em tons de bege e terracota. A coleção, inspirada na vida no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do País e com um artesanato riquíssimo, se remete a todo instante à indumentária da mulher que escolhe seu melhor vestido, sempre com algum elemento decorativo e artesanal, para seu melhor programa: missa, batizado, quermese. Para variar, foi aplaudido de pé.