Leona Cavalli vive uma Medéia traída pelo amor e vítima de uma aliança política que tentará combater cometendo um crime por justiça
Omito grego da jovem Medéia, tragédia de Eurípedes, ganha nova versão nas mãos da dramaturga paulista Consuelo de Castro. No espetáculo Memórias do Mar Aberto – Medéia Conta a sua História, que estará em cartaz de hoje a domingo no Teatro da Caixa, a heroína ganha missão pacifista e vai emocionar a platéia.
De acordo com Consuelo, o objetivo foi criar uma versão própria de Medéia. “Tive a pretensão de fazer o mito da minha maneira”, afirma. Na nova história, a personagem principal é mais humanista. “Transfiro para ela o espaço público, a missão política e os ideais”, acrescenta. A tragédia é composta por momentos cômicos, dramáticos e de romance.
Na história original, Medéia enfrenta sua família para ajudar o grego Jasão, que a trai com a rainha de Corinto. Na nova versão, ela não é traída apenas no amor. Em Memórias do Mar Aberto, Medéia, vivida pela atriz Leona Cavalli, é vítima de uma aliança política entre o rei Creonte, interpretado por Francarlos Reis, e Jasão, de Cássio Scapin. O elenco conta ainda com Rubens Caribé, Gustavo Trestini e Vanessa Bruno. A direção é de Regina Galdino.
CrimeEurípedes fez uma Medéia que mata seus filhos após ser abandonada pelo pai deles. Já Consuelo faz com que ela cometa um crime na tentativa de impedir que seus filhos sejam escravizados. Medéia é indiretamente culpada, pois não teve a intenção de matar. “Mantenho a história do mito, mas crio algumas coisas em cima”, diz.
Tomada pela raiva por Jasão, Medéia tem a ajuda de Amo, um rapaz apaixonado por ela, para realizar uma vingança. Com ele, enfrenta o espectro de seu irmão Apsirto, quem assassinou por amor a Jasão, e a tirania do rei Creonte, que a assedia sexualmente.
Carentes Consuelo afirma que, mesmo que a platéia não conheça o mito de Medéia, entende a história. A intensidade dos diálogos vai aumentando a tensão, o que não deixa o público se desligar um segundo. “As pessoas saem do espetáculo com o espírito de ir em frente, de enfrentar o mar aberto, o desconhecido em busca de realizar seus ideais”, comenta a autora.
A autora contabiliza mais de 50 textos para teatro em 40 anos de carreira. Para ela, o teatro é o meio de comunicação mais vivo. “Falta apoio para se deselitizar o teatro”, afirma. Na temporada da peça em São Paulo, algumas sessões foram dedicadas a pessoas carentes, portadores de deficiência e idosos. “Saio desse projeto com a convicção de que, se o público tem acesso ao teatro, ele gosta”, conclui Consuelo.