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Mau humor pode ser doença grave

Arquivo Geral

22/07/2004 0h00

Atenção quem vive o dia inteiro de cara amarrada: o mau humor pode ser considerado uma doença – e grave! Este transtorno mental se manifesta por meio de uma rabugice que parece não ter fim. Lembra aquele estado de espírito do Hardy Har Har, a hiena de desenho animado, famosa por viver resmungando.

O nome da doença é distimia, reconhecida pela medicina nos anos 80. É uma forma crônica de depressão, com sintomas mais leves. “Enquanto a pessoa com depressão grave fica paralisada, quem tem distimia continua tocando a vida, mas está sempre reclamando”, diz o psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O distímico é um pessismista por natureza. Só enxerga o lado negativo do mundo e não sente prazer em nada. A diferença entre ele e o resto dos mal-humorados é que os últimos reclamam de um problema, mas param diante da resolução. O distímico reclama até se ganha na loteria. “Não fica feliz porque começa a pensar em coisas negativas, como ser alvo de assalto ou de seqüestro”, diz o psiquiatra Antônio Egídio Nardi, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Se você conhece alguém assim, abra os olhos da pessoa, porque raramente o distímico pede ajuda. Ele não se enxerga. “Para a maioria dos pacientes, o mau humor constante é um traço de sua personalidade. A desculpa pela rabugice recai sempre no ambiente ao seu redor, o que inclui o tempo, o chefe ou a sogra, por exemplo”, diz Nardi.

O bancário João (nome fictício), 40 anos, diagnosticado oito anos atrás, confirma: “Eu achava que era algo que vinha desde a infância, que fazia parte da minha educação. Quando o médico disse o que eu tinha, foi como tirar um peso das costas”.

Dele e da mulher também, a secretária Helena (nome fictício). “Ele sempre arranjava algum motivo para reclamar. A torneira da cozinha quebrava e ele via aquilo como se fosse o fim do mundo. Eu vivia tensa. Fazia de tudo para poupá-lo do dia-a-dia, mesmo assim ele encontrava algo para reclamar”, conta ela. A situação piorou quando a intolerância passou a mirar os filhos. “Fomos procurar ajuda, mas demorou anos para alguém acertar o diagnóstico.”

Esse transtorno mental atinge, pelo menos, 180 milhões de pessoas no mundo, que, quando não tratadas, tendem a se isolar. “Levantar da cama era um martírio. No chuveiro, já começava a me angustiar. Pensava nas horas em que ia ficar na marginal, no papo monótono dos colegas de trabalho e no dia que vinha pela frente, cheio de decepções. Nada tinha graça”, conta a executiva Fernanda (nome fictício), 37 anos.

A doença não deve ser subestimada, pois aquele que a tem corre um risco 30% maior de desenvolver quadros depressivos graves. “Sem contar que também pode levar as pessoas ao consumo de álcool ou outras drogas, pois elas se iludem achando que assim acabam com a irritação”, esclarece o psiquiatra Antônio Nardi.

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    22/07/2004 0h00

    Atenção quem vive o dia inteiro de cara amarrada: o mau humor pode ser considerado uma doença – e grave! Este transtorno mental se manifesta por meio de uma rabugice que parece não ter fim. Lembra aquele estado de espírito do Hardy Har Har, a hiena de desenho animado, famosa por viver resmungando.

    O nome da doença é distimia, reconhecida pela medicina nos anos 80. É uma forma crônica de depressão, com sintomas mais leves. “Enquanto a pessoa com depressão grave fica paralisada, quem tem distimia continua tocando a vida, mas está sempre reclamando”, diz o psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    O distímico é um pessismista por natureza. Só enxerga o lado negativo do mundo e não sente prazer em nada. A diferença entre ele e o resto dos mal-humorados é que os últimos reclamam de um problema, mas param diante da resolução. O distímico reclama até se ganha na loteria. “Não fica feliz porque começa a pensar em coisas negativas, como ser alvo de assalto ou de seqüestro”, diz o psiquiatra Antônio Egídio Nardi, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Se você conhece alguém assim, abra os olhos da pessoa, porque raramente o distímico pede ajuda. Ele não se enxerga. “Para a maioria dos pacientes, o mau humor constante é um traço de sua personalidade. A desculpa pela rabugice recai sempre no ambiente ao seu redor, o que inclui o tempo, o chefe ou a sogra, por exemplo”, diz Nardi.

    O bancário João (nome fictício), 40 anos, diagnosticado oito anos atrás, confirma: “Eu achava que era algo que vinha desde a infância, que fazia parte da minha educação. Quando o médico disse o que eu tinha, foi como tirar um peso das costas”.

    Dele e da mulher também, a secretária Helena (nome fictício). “Ele sempre arranjava algum motivo para reclamar. A torneira da cozinha quebrava e ele via aquilo como se fosse o fim do mundo. Eu vivia tensa. Fazia de tudo para poupá-lo do dia-a-dia, mesmo assim ele encontrava algo para reclamar”, conta ela. A situação piorou quando a intolerância passou a mirar os filhos. “Fomos procurar ajuda, mas demorou anos para alguém acertar o diagnóstico.”

    Esse transtorno mental atinge, pelo menos, 180 milhões de pessoas no mundo, que, quando não tratadas, tendem a se isolar. “Levantar da cama era um martírio. No chuveiro, já começava a me angustiar. Pensava nas horas em que ia ficar na marginal, no papo monótono dos colegas de trabalho e no dia que vinha pela frente, cheio de decepções. Nada tinha graça”, conta a executiva Fernanda (nome fictício), 37 anos.

    A doença não deve ser subestimada, pois aquele que a tem corre um risco 30% maior de desenvolver quadros depressivos graves. “Sem contar que também pode levar as pessoas ao consumo de álcool ou outras drogas, pois elas se iludem achando que assim acabam com a irritação”, esclarece o psiquiatra Antônio Nardi.

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