Os apreciadores da literatura de Marina Colasanti terão uma oportunidade única hoje, às 19h30, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB): ouvir a escritora ler parte de seus textos. O evento abre a temporada de 2005 do Rodas de Leitura, projeto que reúne um escritor da literatura brasileira e o público para uma conversa informal.
Marina Colasanti nasceu na Etiópia em 1937 e veio para o Brasil aos 11 anos. O primeiro contato com a arte foi em 1952, quando começou a ter aulas de pintura com Catarina Baratelli. Seis anos depois, participou do 3º Salão de Arte Moderna. Estreou no meio literário em 1968, com Eu Sozinha. Desde então, Marina escreve contos, poemas, crônicas e romances. São mais de 30 livros, como A morada do Ser (1978, 2004), Contos de Amor Rasgados (1986) e Eu Sei, Mas Não Devia (1992). Em 1993, a escritora ganhou o Prêmio Jabuti de poesia por Rota de Colisão.
Para o bate-papo de hoje, Marina selecionou trechos de A Morada do Ser, relançado no ano passado pela Editora Record. “O livro foi editado pela primeira vez há mais de 20 anos. Há toda uma geração que não tomou conhecimento dele”, observa. A Morada do Ser é uma obra de contos estruturada como um edifício em que cada capítulo é numerado como apartamentos. Nela, a escritora trata das várias formas de morada: a do próprio corpo, a do corpo dos outros, a da alma.
Outro título lançado no ano passado é Fragatas para Terras Distantes (Record), série de ensaios sobre leitura e literatura. E Marina não pára: publicará mais duas obras este ano. Em abril, o público vai se deliciar com o livro de poesias Fino Sangue (Record) e, até o fim do ano, 23 Histórias de um Viajante (Global) será publicado. “23 Histórias de um Viajante é um livro muito bonito, todo ilustrado”, conta. Uma curiosidade da obra da escritora é que as ilustrações são sempre de sua autoria.
Marina Colasanti dá uma dica para quem quer se aventurar pelo mundo das letras: observar atentamente o cotidiano. “As idéias são sistêmicas, não surgem no chuveiro por obra do Espírito Santo. Podem até surgir no chuveiro, mas você convoca o desejo, provoca as idéias”, revela.
A escritora, que trabalhou por muitos anos como jornalista e publicitária, descreve como é o processo de criação de um livro. “Já trabalhei em equipe e foi muito bom. Mas escrever é uma atividade que você inicia e termina sozinho. É um desafio, mas eu gosto disso”, afirma.
A proximidade entre o público e o escritor não é nenhuma novidade para Marina Colasanti. Na Europa, ela já teve a oportunidade de ler trechos de sua obra e conversar com os leitores. “Infelizmente, no Brasil ainda não há o costume de ouvir o autor ler. Na Alemanha, eu lia em português, com um tradutor ao lado”, conta. Mas, segundo ela, os autores estão cada vez mais próximos do público devido às feiras de livro, às mesas-redondas e a projetos como o Rodas de Leitura. “O escritor não pode ficar encastelado. Faz parte da profissão conversar com quem o lê”, completa.
Serviço
Rodas de Leitura – Com Marina Colasanti, hoje, às 19h30, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Entrada franca mediante retirada de senha com uma hora de antecedência. Os 25 primeiros leitores serão contemplados com um livro. Mais informações: 310-7087.