O ano era 1972. Marília Pêra encenava o espetáculo Carmen Miranda quando teve seu primeiro encontro com Juscelino Kubitschek. Amargando dias de ostracismo político desde o golpe militar, em 1964, o ex-presidente assistiu ao espetáculo e chegou a trocar algumas palavras com a atriz, nos bastidores. “Foi tudo muito rápido, ele já estava afastado da vida pública desde a posse do presidente Costa e Silva, em 1967”, relembra ela.
Quase 33 anos depois, Marília Pêra terá a chance de reencontrar Kubitschek. Desta vez, porém, na ficção. No dia 3 de janeiro, estréia na Globo a minissérie JK, em que a atriz viverá a primeira-dama Sarah Kubitschek. Marília entrará em cena na terceira fase da trama e fará par com José Wilker, que interpretará o político.
O convite para viver dona Sarah veio da própria autora de JK, Maria Adelaide Amaral, com quem trabalhou em Mademoiselle Chanel, o mais recente espetáculo em que transpôs uma figura real para a ficção. Anteriormente, ela havia encarnado nos palcos as cantoras Maria Callas e Dalva de Oliveira.
“Apesar da experiência em viver personagens reais, fazer a dona Sarah será algo novo, porque ela foi uma primeira-dama discretíssima. Pouco se sabe sobre ela”, explica a atriz, que está preenchendo as lacunas necessárias para a construção da personagem a partir de relatos de familiares e amigos de JK.