Você nunca verá nem ouvirá o Acústico MTV de Marcelo D2, ao menos não como ele foi gravado em primeira sessão, em São Paulo. O rapper carioca bebeu cerveja sem parar, errou a letra na hora de cantar Loadeando com seu filho Stephan e irritou-se com a ordem da MTV de repetir boa parte das canções. Ao saber que devia começar tudo de novo, fez cara de desapontamento e correu para fazer xixi, dispersando o grupo de músicos sambistas, rappers, violonistas MPB, até uma orquestra de cordas que ia ficando embevecida com a rebeldia antipop do líder da gandaia. O que estava em curso era um legítimo embate roqueiro. A MTV é ágil e moderna, mas tem submetido artistas brasileiros também ágeis e modernos ao formato disciplinado, careta, pseudo-sofisticado do sucesso comercial que é a grife Acústico. Mesmo sem querer, o indócil D2 deu o troco à MTV. Pouco a pouco, ia ficando explícito o desinteresse manso do artista pelas novas versões de seus samba-raps. Derrubou a caneca de cerveja no chão em que dois bailarinos de hip hop faziam evoluções comoventes de tão rebuscadas. Impacientou-se com o ponto eletrônico, disse que a maconha estava liberada no recinto, cantava fora do microfone, pedia liberdade e desobedecia vozes castradoras de autoridade, como fez a vida toda.