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Marçal Aquino é o convidado deste mês no projeto Cinema Falado

Arquivo Geral

13/11/2007 0h00

Dentre os nomes em atividade com roteiros cinematográficos no Brasil, o do escritor Marçal Aquino talvez seja o mais conhecido do grande público. Isso graças à sua bem-sucedida parceria com o diretor Beto Brant, em filmes como Os Matadores, Ação Entre Amigos e O Invasor – todos inspirados em livros de Aquino.

O escritor paulista participa nesta terça-feira do Cinema Falado projeto mensal realizado no Teatro da Caixa, no qual a cada edição um convidado – relacionado diretamente à sétima arte ou não – destaca um filme que considere fundamental em sua trajetória pessoal ou profissional. Marçal Aquino escolheu Os Chefões (The Funeral), produção americana de 1996 dirigida por Abel Ferrara.

“Sou um velho fã do cinema dele”, conta Aquino, “ele tem filmes muito diferentes uns dos outros e acho que Os Chefões é uma espécie de cartão de visitas dele. É o filme que melhor sintetiza as temáticas presentes em todos os seus outros filmes”, continua.

Um pouco convencional filme de gângsteres, Os Chefões é uma tragédia familiar, cujos personagens principais se encontram entre seus desejos humanos e sua moral cristã. Johnny, Ray e Chez Tempio são irmãos e trabalham para a máfia. Ao abraçar o comunismo, Johnny (Vincent Gallo) passa a agir a favor dos sindicatos de trabalhadores, o que vai de encontro aos interesse da máfia local – da qual sua própria família faz parte.

Johnny é morto e seus irmãos não aceitam a fatalidade. O contido Ray (Christopher Walken) tem idéia de quem possa ter cometido o crime e planeja vingança. Já o violento Chez (Chris Penn) pensa em atitudes muito mais extremas. Ferrara então repassa a história da família Tempio e apresenta na tela um retrato dos EUA da década de 30, período marcado pela grande depressão, quando família inteiras se dedicavam ao crime e à contravenção. “Ele (Ferrara) não é muito popular por aqui. Mesmo assim, acho que não deram a atenção merecida para Os Chefões quando ele passou pelo cinema”, comenta o roteirista.

Da trilha sonora às atuações, passando pelo roteiro e direção, Marçal Aquino é só elogios para a obra. A obra de Ferrara tem conexões com o próprio trabalho de Aquino. Seus livros são povoados por tipos comuns, personagens do cotidiano das grandes cidades, como bandidos pequenos, policiais corruptos, prostitutas e fracassados de todos os tipos. Sobre o reflexo de sua admiração pelo cinema de Ferrera em seu próprio trabalho, o escritor considera: “Não gosto de falar que me influencia, parece pretensão. Mas como o filme está na minha lista de preferidos, certamente me inspira mais que influencia”.

Além de Os Chefões, Marçal Aquino indicou mais dois filmes para a produção de Cinema Falado: O Assalto ao Trem Pagador (1962) de Roberto Farias, e o sul-coreano Memórias de um Assassino (2003), de Bong Joon-ho. “Assalto ao Trem Pagador é um raro filme brasileiro, já que não temos uma grande tradição com o cinema policial. Já Memórias de um Assassino é interessante por ser um antipolicial”, comenta.

Conhecido por exercer várias atividades paralelamente, Marçal Aquino se dedica atualmente a concluir seu próximo livro, Grande Circo Humano (“É uma sátira, diferente de tudo o que já fiz. Quero terminá-lo em maio”, avisa) e às roteirizações de seu livros Cabeça a Prêmio para o cinema, que será dirigido por Marco Ricca, e Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, dirigido por seu velho parceiro Beto Brant. No começo de 2008 ainda participará do projeto literário Amores Expressos, pelo qual passará uma temporada em Roma, o que renderá futuramente mais um livro.

Cinema Falado – Exibição do filme Os Chefões (The Funeral), de Abel Ferrara seguido de bate papo com Marçal Aquino. Mediação de Sérgio Moriconi. Dia 13 de novembro, terça-feira, às 19h, no Teatro da Caixa (SBS Quadra 4, anexo ao edifício-matriz). Entrada franca.

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