Em contagem regressiva para a turnê brasileira do CD All That I am, o guitarrista Carlos Santana – natural de Autlán de Navarro, no México – garante não estar fazendo média ao declarar sua torcida verde-e-amarela durante a Copa do Mundo: “Nasci no México e vivo nos Estados Unidos, mas meu coração está sempre com o Brasil no futebol”, anuncia o mexicano, que se apresenta no País no mês que vem: Porto Alegre (dia 15), São Paulo (dia 17) e Rio de janeiro (dia 18).
“Só deixo de torcer para o Brasil se surgir um país pequeno da África, como Camarões, que consiga surpreender a todos com sua garra. O time brasileiro não pode perder a fúria”, estimula Santana.
Aos 58 anos, o compositor e guitarrista, premiado como Lenda da Música no World Music Awards 2005, inicia com entusiasmo a nova turnê em solo brasileiro. “Quero levar esperança para as pessoas, principalmente a países como o Brasil, que já sofrem tanto com a violência, o medo e a brutalidade. Meu propósito é dar esperança às pessoas”, avisa Santana, carregando no tom social do discurso.
Ele diz, convicto, que pode melhorar o mundo com sua música. “Quero tocar o coração de todos. Quando me recordo do Rio, penso nos olhos brilhantes das pessoas, nas boas vibrações. Para mim, os pobres são mais ricos que os ricos”, continua o guitarrista.
Ícone da música instrumental, com uma clássica passagem pelo Festival de Woodstock, em 1969, Santana deu uma guinada pop na carreira no fim dos anos 90. “Trabalhei com a música instrumental de 1973 a 1997. Foi uma decisão consciente fazer música para tocar no rádio. Entrei numa outra arena”, diz, referindo-se ao álbum Supernatural (1998), com as participações de Lauryn Hill, Eagle Eye Cherry e Rob Thomas, do grupo Matchbox 20, com quem gravou o megassucesso Smooth.
Revelado para a nova geração a partir desse disco, o músico avisa que quer fazer show para toda a família. Em suas apresentações, Santana costuma trazer um cantor que interpreta as músicas cantadas por famosos em seus discos.
“Interessa-me passar a mensagem para os avós, os pais e os filhos”, convida Santana, comparando-se aos Rolling Stones, primeira grande atração internacional do ano. “Não utilizo tantos elementos visuais como eles, que são uma explosão.”
Instrumental”Posso voltar a fazer música instrumental no futuro, mas não tenho problema com a palavra comercial. O que é comercial? Flores e chocolates são comerciais, mas são presentes perfeitos dados para os namorados. Tenho problema com música que não vem do coração, com música superficial.”
Santana não descarta uma parceria com algum músico brasileiro, mas revela: “Agrada-me o mais profundo, o místico, os curandeiros, os xamãs. O som deles não têm tanta poluição do egoísmo no som, não gosto do plástico. Na minha outra passagem pelo Brasil, pude compreender a linguagem do candomblé”, explica o guitarrista.