Quem viu, bem. Quem não viu, vai ficar chupando o dedo. Depois de Mulheres Apaixonadas, atual trama das oito da Rede Globo, Manoel Carlos se despede das novelas. Em comunicado à emissora, o autor de sucessos como Laços de Família, Por Amor, Presença de Anita e Baila Comigo, entre outros, anunciou que não vai mais escrever folhetins. “Quero me dedicar à minha família e a escrever minisséries”, disse Maneco, como é carinhosamente chamado por todos no meio artístico.
Manoel Carlos é mais um dos autores globais a pendurar as chuteiras e deixar o público órfão. No meio da trama de Esperança, em 2002, Benedito Ruy Barbosa não gostou da ajudazinha de Walcyr Carrasco – imposta pela Globo, para alavancar a audiência do folhetim –, deixou de escrever a novela e anunciou que essa seria a última obra para TV escrita por ele.
Manoel Carlos começou a carreira de autor de novelas em 1978, quando escreveu Maria, Maria, estrelada por Nívea Maria. O sucesso veio em 1981, com Baila Comigo, em que Tony Ramos encarnava os gêmeos Quinzinho e João Vítor.
Paulista, mas carioca de coração e paixão, Manoel Carlos usa e abusa das paisagens do Rio de Janeiro, que se tornaram marcas registradas de suas tramas. A onipresente personagem Helena, encontrada em seis de suas tramas, também é outra característica que chama a atenção no trabalho do autor. Regina Duarte, Maitê Proença, Vera Fischer e Christiane Torloni foram as atrizes que encarnaram a heroína predileta de Manoel Carlos na telinha.
O estilo realista de Maneco é inconfundível. Em Laços de Família, o autor abordou o drama de Camila (Carolina Dieckman), que sofria de leucemia e abriu margem à discussão sobre transplante de medula. No dia em que Camila teve a cabeça raspada – o capítulo foi exibido no dia 11 de dezembro de 2000 –, 79% das televisões brasileiras estavam sintonizadas na Globo. Pontos para seu trabalho.